Invasão por terra divide governo israelense

Israel está dividido. De um lado, o comando do Exército pressiona por uma invasão terrestre de larga escala na Faixa de Gaza, com o objetivo de pôr um ponto final no lançamento de foguetes do Hamas. De outro, a chancelaria defende a restrição da ofensiva aos bombardeios aéreos, limitando-se a mostrar "determinação" contra a ameaça palestina. A informação foi dada ao Estado por um funcionário do governo israelense, que pediu para não ser identificado."O Exército entende que não há resposta possível para deter totalmente os foguetes, a não ser uma incursão com tanques e tropas capaz de ir atrás dos depósitos desse armamento. No entanto, a chancelaria não acredita em uma solução militar", contou o israelense.Preparada "há anos", a operação lançada no sábado teria, assim, objetivos distintos para os dois setores em debate dentro do governo. Para os militares, uma invasão por terra seria capaz de solapar a capacidade de fogo do Hamas, reforçada durante os seis meses de trégua entre o grupo e Israel. Para os diplomatas, o objetivo seria manchar a imagem de poder que o grupo islâmico adquiriu e, ao mesmo tempo, reconquistar o prestígio perdido por Israel na guerra fracassada contra o Hezbollah, em 2006.A fonte do governo, porém, não precisou qual das duas posições tem mais força dentro de Israel. A tentativa de destruir o Hamas ou mesmo uma reocupação da Faixa de Gaza, de onde Israel se retirou em 2005, estão "completamente" fora dos planos, garantiu. O motivo é "o custo humano nos dois lados". Dessa vez, o processo decisório da ofensiva teria sido muito mais calculado e debatido do que contra o Hezbollah, em 2006. "Agora, precisávamos dar uma resposta determinada contra o Hamas, a situação era insustentável e havia muita pressão interna para agir", afirmou a fonte. Segundo o israelense, os bombardeios já teriam destruído entre três e quatro grandes depósitos de foguetes do Hamas espalhados por Gaza. "Mas esses abrigos - muitos deles em regiões densamente povoadas - não podem ser totalmente eliminados pelo ar", completou. Por isso, caso o objetivo da ofensiva tornar-se de fato "zerar" os arsenais de foguetes que ameaçam seu território, Israel terá de entrar por terra.

Roberto Simon, O Estadao de S.Paulo

30 de dezembro de 2008 | 00h00

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