Invasor irlandês responderá por tentativa de homicídio

O radical protestante Michael Stone foi acusado, neste sábado, num tribunal de Belfast, de tentar matar o líder do Sinn Féin (braço político do IRA), Gerry Adams, e o número dois do partido, Martin Mcguinness. Na sexta-feira, 24, Stone entrou com explosivos, uma faca e uma pistola no Castelo de Stormont, sede da Assembléia da Irlanda do Norte, onde era realizada uma sessão da qual Adams e Mcguinness participavam. O incidente forçou a evacuação da Casa, que debatia a formação de um governo de poder compartilhado entre o majoritário e radical Partido Democrático Unionista (DUP), do reverendo Ian Paisley, e o Sinn Féin, segunda formação da província. Horas depois da evacuação, peritos do Exército britânico ainda desativaram entre seis e oito artefatos explosivos na sede da Assembléia. Numa audiência realizada neste sábado, 25, num tribunal na cidade, Stone, que tem 51 anos e sofre de artrite, também foi acusado de posse de explosivos para ameaçar a vida de pessoas e de posse de materiais para fins terroristas. Radical O radical, antigo membro do grupo paramilitar Lutadores pela Liberdade do Ulster (UFF, na sigla em inglês), gritou antes de deixar a corte: "Não haverá poder compartilhado com os pecadores (em referência ao Sinn Féin). São criminosos de guerra!". Ulster é uma das quatro províncias tradicionais da Irlanda. "O Ulster não está à venda. Não nos renderemos", acrescentou Stone, que teve prisão preventiva decretada e que, no dia 22 de dezembro, terá que voltar ao tribunal. Também na corte, a sargento da Polícia Bernadette Kelly disse que, durante o interrogatório, o acusado confessou que atuou por conta própria. Stone é uma lenda viva para os terroristas unionistas desde que, em 1988, matou, em frente às câmeras de TV, três pessoas que assistiam a um funeral do Exército Republicano Irlandês (IRA) na capital norte-irlandesa. O chefe da Polícia do Ulster (PSNI), Hugh Orde, disse que a ação de sexta-feira do antigo membro do grupo UFF foi "um triste ato de publicidade de um triste indivíduo". Por sua vez, o ministro britânico para a Irlanda do Norte, Peter Hain, ordenou uma "ampla ivestigação" para determinar como o ex-terrorista, uma das caras mais conhecidas do conflito no Ulster, conseguiu burlar os sistemas de segurança do Stormont.

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