AFP PHOTO / Scanpix Denmark / Bax Lindhardt
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Inventor dinamarquês que matou e desmembrou jornalista é condenado a prisão perpétua

Peter Madsen negava ter assassinado Kim Wall e disse à polícia que ela morreu por envenenamento de monóxido de carbono dentro do submarino dele

O Estado de S.Paulo

25 Abril 2018 | 08h31

COPENHAGUE - Um tribunal da Dinamarca sentenciou o inventor Peter Madsen, de 47 anos, a prisão perpétua nesta quarta-feira, 25, pelo assassinato e desmembramento da jornalista sueca Kim Wall a bordo de seu submarino em agosto de 2017. Segundo a juíza da Corte de Copenhague, Anette Burkoe, ela e os dois jurados do caso decidiram que a morte de Kim foi um assassinato e o réu também é culpado por agressão sexual e violação de cadáver.

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O julgamento durou 12 dias, durante os quais o tribunal ouviu o testemunho de que Madsen, de 47 anos, atraiu Kim, de 30 anos, até o submarino que construiu à mão, o Nautilus, sob a promessa de conceder uma entrevista que a jornalista tentava obter há meses. Kim era uma freelancer que escrevia para grandes revistas e jornais. Ela foi vista pela última vez no dia 10 de agosto, quando acenou para o namorado e amigos em terra, enquanto o submarino partia para o Mar Báltico. A polícia prendeu Madsen no dia 11 de agosto quando ele saiu do Nautilus sozinho, antes de a embarcação afundar.

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Seu torso foi jogado no mar de Copenhague e outras partes de seu corpo foram encontradas em sacolas plásticas. "Estamos falando de uma agressão sexual brutal e planejada de uma mulher que, por conta de seu trabalho jornalístico, aceitou a oferta de navegar no submarino do réu", disse a juíza Anette.

Na Dinamarca, a prisão perpétua equivale a 16 anos, que podem ser aumentados se necessário. Imediatamente após o veredicto, a advogada de Madsen, Betina Engmark, disse que recorreria da decisão. O tribunal ainda ordenou que o réu permaneça atrás das grades durante o processo de apelação.

Durante o julgamento, homem negou o assassinato, dizendo que Kim morreu acidentalmente dentro do submarino. Ele mudou sua história várias vezes. Inicialmente, disse às autoridades que havia deixado a jornalista em terra e que não sabia o que acontecera com ela.

Em seguida, alegou que ela morrera acidentalmente ao ser atingida na cabeça por uma escotilha, dentro do submarino. Finalmente, depois que a cabeça decapitada da vítima foi encontrada por mergulhadores dentro de uma sacola e não mostrava sinais de fratura, Madsen disse que ela havia morrido asfixiada em razão de um defeito no funcionamento da embarcação.

Inicialmente, ele também negou ter desmembrado o corpo de Kim, mas em seguida confessou o ato, acrescentando que jogou partes no Mar Báltico. A juíza do caso notou as discrepâncias e afirmou que o réu "não conseguiu dar explicações confiáveis". Ela acrescentou que as evidências apontam que Madsen "demonstrou interesse por matar, mutilar e empalar pessoas".

Segundo o procurador Buch-Jepsen, o assassinato de Kim foi motivado sexualmente e premeditado, já que o réu levou ao submarino ferramentas que normalmente não usava para navegar, incluindo uma serra e chaves de fenda afiadas.

Argumentando contra a decisão do tribunal, a advogada de defesa afirmou que seu cliente deveria ser absolvido da acusação de assassinato e sentenciado apenas pelo desmembramento do cadáver. / AP e REUTERS

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