Investida contra supostos terroristas continua na Somália

Helicópteros de combate atacaram supostos terroristas da Al-Qaeda escondidos no sul da Somália nesta terça-feira, disseram testemunhas, levantando suspeitas de uma participação continuada dos Estados Unidos na ofensiva contra os rebeldes islâmicos concentrados no sul do país. Na madrugada de segunda-feira, um avião Hércules AC-130 da Força Aérea americana havia sido utilizado para atacar o que a inteligência do país classificou como redutos de membros da rede terrorista. O Pentágono confirmou o ataque nesta terça-feira.Segundo reportagem publicada no site do Washington Post, entretanto, oficiais militares americanos negaram o envolvimento dos Estados Unidos na ofensiva desta terça-feira. Mais cedo, fontes do governo somali haviam informado que os helicópteros utilizados neste último ataque seriam da Força Aérea dos Estados Unidos.Em Washington, membros da inteligência disseram que o bombardeio da madrugada de segunda-feira resultou na morte de entre cinco e dez pessoas. De acordo com o governo dos Estados Unidos, as vítimas seriam membros da Al-Qaeda em operação no país africano. A Casa Branca afirma que membros da rede controlada por Osama bin Laden estariam atuando na Somália sob a cobertura da União das Cortes Islâmicas (UCI), organização que controlou a maior parte do país nos últimos seis meses. A Somália não possui um governo central desde 1991, e desde meados de 2006 a UCI tomou o controle da capital do país, Mogadiscio. Em dezembro, entretanto, tropas leais ao governo interino somali, apoiadas pelas Forças Armadas etíopes, expulsaram os rebeldes islâmicos para o sul do país.Segundo um deputado somali, 31 civis teriam morrido no ataque dos helicópteros, realizado em Afmadow, uma cidade próxima à fronteira com o Quênia. A informação não pôde ser imediatamente confirmada.De acordo com um funcionário do Mistério da Defesa da Somália, os helicópteros seriam americanos. No entanto, testemunhas locais contatadas pela Associated Press disseram que não foi possível identificar as insígnias presente nas aeronaves.O mesmo funcionário, que falou sob condição de anonimato, afirmou que os Estados Unidos tinham por objetivo atacar extremistas islâmicos posicionados no sul do país. Mais cedo, a presidência interina da Somália havia informado que os Estados Unidos estariam caçando os responsáveis pelos atentados à bomba contra duas embaixadas americanas no leste da África, realizados em 1998.Ataques a MogadiscioTambém nesta terça-feira, tropas leais ao governo interino somali e forças etíopes posicionadas em Mogadiscio foram atacadas por atiradores escondidos em duas caminhonetes. Segundo testemunhas, os rebeldes utilizaram duas granadas lançadas por foguetes. Em seguida, uma intensa troca de tiros pôde ser ouvida por vários minutos. Um soldado somali morreu, enquanto um civil e outros dois militares ficaram feridos.Após o primeiro ataque, com o avião AC-130, o primeiro-ministro da Etiópia disse em entrevista publicada nesta terça-feira que supostos terroristas do Canadá, Grã Bretanha, Paquistão e outros países estariam entre os prisioneiros ou mortos nas operações militares na Somália.O primeiro-ministro Meles Zenawi foi citado pelo jornal francês Le Monde afirmando que não sabia o número exato de prisioneiros na Somália, "porque este muda constantemente". "Mas muitos terroristas internacionais estão mortos na Somália", afirmou Meles ao Le Monde. "Foram feitas fotografias e recolhidos passaportes de vários países."

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