Investidores voltam-se para o México

Com a desaceleração econômica nos Estados Unidos, o sentimento no México este mês tem sido amplamente melancólico. O desemprego está em alta, as exportações em queda e os números mostram que o país está caminhando para uma recessão. E as notícias pioraram. O peso, historicamente fraco e humilde, continuou a se fortalecer diante do dólar, levando muitos a se preocupar com uma super-valorização. E para os mexicanos, que não se esqueceram da crise do peso de 1995, uma moeda super-valorizada é a calmaria antes da tormenta.Mas enquanto os mexicanos esperavam o pior, os investidores internacionais fizeram justamente o oposto. Na semana passada, o Citigroup anunciou a aquisição do segundo maior banco mexicano, o Grupo Banacci, por US$ 12,5 bilhões, e salientou a enigmática tendência no México. Até agora, a economia mexicana cresceu levemente. No primeiro trimestre, houve uma expansão de 1,9% em relação ao mesmo trimestre do ano passado; em 2000, houve um crescimento de 7,7%. Mas ao mesmo tempo, quantias recordes de capital estão jorrando. O México recebeu US$ 3,6 bilhões em investimentos estrangeiros diretos no primeiro trimestre, um aumento de 17% em relação ao mesmo período no ano passado. Nos próximos meses, quando o negócio do Citigroup for completado, apenas ele representará todo o investimento direto estrangeiro realizado no ano 2000.Produção vai para os EUAEntão, por que o México está preocupado se Wall Street está tão feliz? no passado, o México teria aplaudido tanto investimento estrangeiro. Mas hoje o país está lutando para acomodá-lo. A economia mexicana está alimentada em grande parte por sua indústria de exportação, que envia cerca de 90% dos produtos acabados para os Estados Unidos. Assim, quando os Estados Unidos páram de comprar, a economia do México pára de crescer.Ainda assim, os investidores internacionais têm ignorado a queda de atividade industrial, considerando-a um momento cíclico. Ao invés disso, eles estão olhando para o futuro, apostando nas perspectivas favoráveis do país a longo prazo.PromessasEncorajados pelas promessas do presidente Vicente Fox de abrir o mercado de energia e outros setores importantes, e desanimados com o fraco desempenho da Argentina e do Brasil, os investidores dizem que o México é o mercado emergente em que devem estar presente hoje. Assim, embora o México tenha sido duramente atingido pela desaceleração nos Estados Unidos, ?não foi atingido de forma a destruir o que é tido como um panorama muito, muito positivo para a economia mexicana?, disse Jorge Mariscal, estrategista de investimentos para a América Latina, da Goldman, Sachs.

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