Investigação aponta sinais de violência em blogueiro morto em prisão do Irã

Segundo promotor de Teerã, Sattar Beheshti pode ter sido torturado e sofrido pressão psicológica.

BBC Brasil, BBC

23 de novembro de 2012 | 15h57

Uma investigação das autoridades do Irã concluiu que o blogueiro dissidente Sattar Beheshti pode ter morrido devido à força bruta enquanto estava na prisão e não devido a causas naturais ou a alguma doença, como as autoridades alegavam anteriormente.

Beheshti foi preso no dia 30 de outubro por acusações de ter agido contra a segurança nacional ao postar mensagens contra o governo em blogs e redes sociais.

Ele foi entregue para investigadores da polícia, para um interrogatório e, uma semana depois, estava morto.

As circunstâncias exatas da morte dele ainda não foram esclarecidas e algumas informações sugerem que ele foi torturado.

O Parlamento iraniano então criou uma comissão para investigar a morte de Beheshti.

A declaração do promotor de Teerã, divulgada nesta sexta-feira, afirma que a principal causa da morte do blogueiro pode ter sido choque físico, causado por força bruta aplicada contra partes sensíveis do tronco de Beheshti, ou pressão psicológica.

"Não é possível determinar a causa exata da morte. Mas a causa mais provável que levou à morte pode ser choque", afirma a declaração.

Depoimentos

Segundo a declaração, foi feita uma investigação detalhada e os promotores também obtiveram depoimentos de testemunhas, outros prisioneiros e carcereiros.

Mas, as declarações ou os resultados da investigação não estão sob o domínio público.

De acordo com a agência de notícias Mehr, um relatório inicial do legista informou que o corpo de Beheshti tinha "sinais de ferimentos", mas não havia ossos quebrados.

A morte de Beheshti gerou críticas de vários países, de políticos e grupos de defesa dos direitos humanos.

Na semana passada, três pessoas teriam sido presas e liberadas em seguida, de acordo com um site iraniano de oposição, o Kalameh.

A mãe do blogueiro foi proibida de dar declarações à imprensa, mas recentemente, ela deu uma entrevista a um site e afirmou que ofereceram dinheiro a ela, como indenização pela morte do filho.

"Falei que não queria. O que quero é que o mundo saiba que eles mataram meu filho", afirmou.

Beheshti teria sido preso devido aos textos que escrevia em seu blog e no Facebook sobre questões sociais e políticas do Irã.

O blogueiro passou uma noite na célebre prisão de Evin, em Teerã, no dia 30 de outubro. Ele redigiu uma reclamação oficial às autoridades penitenciárias alegando que estava sendo vítima de maus tratos.

Em seguida, ele foi levado para um lugar não revelado. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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