Investigação de crimes de guerra em Gaza falhou, diz ONU

Entidade diz que Israel e Hamas não atenderam padrões internacionais em suas apurações

Agência Estado

21 de setembro de 2010 | 12h02

GENEBRA - Um comitê da Organização das Nações Unidas (ONU) afirmou nesta terça-feira, 21, que Israel e o grupo palestino Hamas fracassaram nas investigações sobre supostos crimes de guerra cometidos durante o conflito na Faixa de Gaza, há quase dois anos, que deixou 1.400 palestinos e 13 israelenses mortos.

 

"As investigações permanecem incompletas em alguns casos ou ficam bem abaixo dos padrões internacionais em outros", disse o presidente do comitê da ONU de especialistas independentes, Christian Tomuschat, em comunicado.

 

Israel se recusou a cooperar com um comitê nomeado pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU para examinar o progresso das investigações sobre a atuação de ambas as partes na guerra. A missão foi estabelecida após um relatório, elaborado a pedido da ONU pelo juiz sul-africano Richard Goldstone, acusar tanto Israel quando os grupos palestinos de crimes de guerra durante o conflito de três semanas, iniciado no fim de dezembro de 2008.

 

O comitê de três especialistas concluiu que Israel não respondeu a todas as acusações de violência contidas no relatório Goldstone. O governo israelense nem investigou o papel de seus líderes nem as alegações de violações ocorridas na Cisjordânia no mesmo período.

 

"Israel realizou investigações sobre muitos incidentes, mas apenas quatro resultaram em indiciamentos criminais, um dos quais levou à condenação por um roubo de cartão de crédito", disse Tomuschat. "Houve também preocupações sobre se as investigações seguem os padrões de imparcialidade", disse o comitê, que deve apresentar suas conclusões ao Conselho de Direitos Humanos da ONU no próximo dia 27.

 

O relatório do comitê também critica duas investigações realizadas pelo Hamas, que controla Gaza, afirmando que não houve um "esforço sério" para apurar as alegações da missão de Goldstone.

 

Apenas a Autoridade Nacional Palestina (ANP), que administra a Cisjordânia, realizou investigações que atendem aos padrões internacionais, segundo o comitê. Apesar disso, a falta de acesso da Autoridade Palestina à Faixa de Gaza não permitiu uma investigação completa das alegações, notou o órgão. As informações são da Dow Jones.

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