Bulent KILIC / AFP
Bulent KILIC / AFP

Polícia encontra evidências de que jornalista foi assassinado em consulado, diz autoridade turca

Presidente turco sugere que partes do prédio foram recentemente pintadas; investigadores planejam revistar casa de cônsul saudita

O Estado de S.Paulo

16 de outubro de 2018 | 16h06
Atualizado 16 de outubro de 2018 | 21h30

ISTAMBUL - Os investigadores que revistaram o Consulado da Arábia Saudita em Istambul nesta terça-feira, 16, encontraram evidências de que o jornalista saudita Jamal Khashoggi foi assassinado dentro do local. Segundo uma autoridade turca de alto escalão, que falou sob a condição de anonimato, após as buscas no consulado, as investigações seguiram para a casa do cônsul saudita, Mohamed al-Otaibi, que deixou o país, mas foi cancelada porque autoridades sauditas não puderam participar. 

 

Autoridades sauditas afirmaram que as acusações de que agentes sauditas mataram Khashoggi são “infundadas”, mas a imprensa americana afirma desde segunda-feira que Riad pode reconhecer que o jornalista foi morto dentro do consulado, talvez como parte de um interrogatório que “deu errado”, para livrar de culpa o governo do país. 

O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, disse hoje que os investigadores procuraram vestígios de materiais “tóxicos” e sugeriu que partes do prédio do consulado podem ter sido pintadas recentemente, mas não forneceu detalhes. O ministro de Relações Exteriores turco, Mevlut Cavusoglu, disse que autoridades turcas estenderiam sua investigação sobre o desaparecimento de Khashoggi para incluir a residência do cônsul saudita e alguns veículos. 

O Wall Street Journal afirmou que o reino está ponderando se deve dizer que agentes da inteligência mataram Khashoggi por engano durante um interrogatório. O jornal, assim como a CNN, diz que a declaração saudita não foi finalizada.

Três fontes diferentes contaram à emissora americana CNN que o interrogatório do jornalista foi conduzido por um agente do alto escalão do serviço de inteligência da Arábia Saudita, ligado ao príncipe herdeiro. Funcionários do governo turco garantem que Khashoggi foi morto dentro do consulado e seu corpo foi esquartejado pelos sauditas.

A Turquia insistia em fazer buscas no local desde o desaparecimento do jornalista, no dia 2, e a autorização foi anunciada após um telefonema entre o rei Salman e Erdogan, no domingo. Em declarações após a conversa telefônica, ambos elogiaram a criação de uma investigação conjunta.

A equipe que realizou a inspeção incluía promotores, membros da polícia antiterrorismo e especialistas forenses. Certas áreas do consulado permaneceram fora dos limites dos investigadores, embora eles tenham sido autorizados a inspecionar as câmeras de vigilância. 

Imagens que foram reveladas à imprensa mostram que carros diplomáticos foram do consulado para a casa do cônsul pouco depois do desaparecimento de Khashoggi. 

Diplomacia

O presidente dos EUA, Donald Trump, disse hoje que conversou por telefone com o príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, e afirmou esperar respostas em breve sobre o caso. Ao mesmo tempo, a monarquia saudita recebia em Riad o secretário de Estado de Trump, Mike Pompeo

Durante o encontro, o rei saudita, Salman bin Abdulaziz, se comprometeu a realizar uma investigação “completa e transparente” sobre o caso. Pompeo viaja nesta quarta-feira à Turquia.

As declarações do presidente americano refletem um dilema para os Estados Unidos, Reino Unido e outros países ocidentais sobre como responder a uma monarquia autoritária que não se curva diante de pressões externas. A Arábia Saudita é a principal exportadora de petróleo do mundo, gasta significativamente com armas no Ocidente e é uma grande aliada dos muçulmanos sunitas. / AP, AFP, EFE e REUTERS 

 

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