REUTERS/Ammar Abdullah
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Investigação independente concluiu que gás sarin foi usado na Síria

Provas do uso de armas químicas seriam 'irrefutáveis', de acordo com agência internacional

Jamil Chade, Correspondente / Genebra , O Estado de S. Paulo

19 Abril 2017 | 16h01

Uma investigação independente sobre os ataques realizados no sul de Idlib, na Síria, concluiu de “forma irrefutável” que armas químicas foram usadas contra a população civil. O anúncio foi feito pelo diretor-geral da Organização para Proibição de Armas Químicas (Opaq), Ahmet Üzümcü. 

A conclusão coloca um fim à polêmica criada depois que o regime de Bashar Assad denunciou os rumores de um ataque como sendo “100% fabricado”, enquanto o governo de Vladimir Putin insistia que o incidente teria sido criado para justificar um ataque da Europa e dos EUA. 

Pelas regras do direito humanitário internacional, o uso de armas químicas é um crime de guerra e peritos da ONU já indicam que vão usar o caso para futuros processos contra os responsáveis militares. 

O incidente abriu a primeira crise entre o governo de Donald Trump e Vladimir Putin. Washington chegou a acusar o Kremlin de “cumplicidade”. 

De acordo com o diretor da entidade internacional, com sede em Haia, uma investigação “imparcial e profissional” foi realizada por sua equipe, com presença na Síria. A entidade, porém, não declarou se considerava que os responsáveis pelo ataque aéreo seriam membros do governo de Assad ou a oposição, moderada ou jihadista. O regime de Damasco, porém, é o único com uma força aérea. 

Conforme o Estado havia revelado, amostras bio-médicas foram coletadas de três vítimas enquanto a autópsia de seus corpos estava sendo realizadas em dois laboratórios da Opaq. 

“Os resultados da análise indicam que as vítimas foram expostas ao sarin ou substâncias parecidas ao sarin”, informou a entidade. O mesmo foi registrado em amostras retiradas de sete pessoas que sobreviveram ao ataque e estavam sendo tratadas. “Os resultados obtidos são irrefutáveis”, disse Üzümcü. 

De acordo com ele, a missão de investigadores na Síria ainda não chegou ao local dos ataques, no povoado de Khan Sheikhun. Mas espera poder visitar a área assim que a situação de segurança permitir. Em duas semanas, um relatório completo deve ser apresentado. 

Os ataques foram lançados no dia 4 de abril e, no dia seguinte, a equipe internacional começou seu trabalho. 

Uma semana depois, porém, o governo americano lançou mísseis contra bases militares Assad, sob o argumento de que estavam respondendo ao ataque químico. Putin alertou que o gesto havia sido “irresponsável”, já que não haveria sequer provas do uso das armas.

Com a confirmação, sobe para um total de 26 os casos do uso de armas químicas na Síria. Desse total de incidentes, pelo menos 14 foram de autoria do regime de Assad. Os dados fazem parte dos relatórios da Comissão de Inquérito da ONU para a Síria e, com detalhes sobre cada um dos casos, espera construir processos de crimes contra a humanidade e crimes de guerra contra os responsáveis. 

 

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