Investigação interna isenta TPII de responsabilidade na morte de Milosevic

Uma investigação interna isentou o Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia (TPII) da acusação de que teria dispensado cuidados médicos inadequados a Slobodan Milosevic e atribuiu ao ex-presidente iugoslavo a culpa por não ter seguido as recomendações médicas e morrido na cadeia, segundo conclusões reveladas nesta quarta-feira. Os investigadores internos do TPII, com sede em Haia, Holanda, concluíram que Milosevic desafiou ordens médicas ao não parar de fumar e ingerir medicamentos que entraram clandestinamente na carceragem do tribunal fundado pela Organização das Nações Unidas (ONU). O ex-presidente iugoslavo também teria se recusado a tomar remédios prescritos por seus médicos, alterado as dosagens prescritas, ocultado informações médicas e se automedicado. Na mais completa averiguação dos fatos em torno da morte de Milosevic feita até o momento, o relatório dos investigadores isenta a ONU de responsabilidade e conclui que o ataque cardíaco que matou Milosevic não poderia ter sido evitado. O ex-presidente da Iugoslávia foi encontrado morto em sua cela em Haia em 11 de março, onde estava detido para responder por 66 acusações de genocídio, crimes de guerra e crimes contra a humanidade. Entretanto, o relatório de 42 páginas assinado pelo vice-presidente do tribunal, Kevin Parker, afirma que os privilégios concedidos a Milosevic comprometeram a segurança na unidade de detenção da ONU, permitindo que ele tivesse acesso escondido a medicamentos não prescritos pelos médicos que cuidavam de sua saúde. O documento pede uma revisão dos procedimentos da prisão e acesso pleno aos registros médicos, atualmente protegidos pelas leis holandesas de confidencialidade. Em junho de 2001, quando foi extraditado para Haia, Milosevic já sofria de pressão alta e de uma série de problemas cardíacos. Na época, o médico que cuidava de Milosevic em Belgrado já havia alertado que Milosevic corria alto risco de sofrer um derrame cerebral ou um ataque cardíaco a qualquer momento. De acordo com o relatório, o cardiologista de Milosevic e dois médicos independentes disseram que uma cirurgia era desnecessária. Por sua vez, um médico de Moscou discordava dessa opinião. "Nessas circunstâncias, não se pode concluir que houve alguma falha no tratamento dispensado" ao ex-presidente iugoslavo, prossegue o autor do documento. Ele explica que o tribunal consultou médicos independentes várias vezes e lembrou que a corte adiou audiências em diversas ocasiões para que o réu, que conduzia a própria defesa, tivesse tempo para descansar por causa de seus problemas de saúde.

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