Investigação judicial sobre morte de ex-espião é adiada

A investigação judicial sobre a morte do ex-espião russo Alexander Litvinenko, a cargo de um juiz de instrução, começou formalmente nesta quinta-feira, mas foi adiada à espera da investigação policial sobre o caso, informaram fontes oficiais. O juiz de instrução Andrew Reid, do bairro de St.Pancras, norte de Londres, deverá esperar a conclusão das investigações da Scotland Yard sobre a morte do ex-agente, há uma semana, em decorrência de uma alta dose de uma substância radioativa conhecida como polônio 210. Na audiência desta quinta-feira, Reid confirmou que o corpo de Litvinenko, conhecido por suas duras críticas ao regime de Putin, será autopsiado na sexta-feira no Royal London Hospital com a presença de um patologista independente e será acompanhada por um patologista designado pela família do ex-espião. Resíduos radioativos foram encontrados em 12 dos 24 locais investigados pelos especialistas, informou nesta quinta-feira o ministro do Interior do Reino Unido, John Reid. Rastros do material radioativo também foram encontrados em aviões da British Airways (BA) investigados pela polícia britânica. Milhares de pessoas ligaram para o telefone de atendimento do Serviço Nacional de Saúde (NHS) por medo de terem sido contaminadas pela radiação. No dia em que adoeceu, Litvinenko se reuniu em um hotel de Londres com dois compatriotas, um dos quais um ex-agente do KGB (antigo serviço de espionagem soviético). Nesse mesmo dia, o ex-espião se reuniu em um restaurante japonês no centro de Londres com o professor italiano Mario Scaramella, que tem bons contatos no mundo da espionagem. Aparentemente, Scaramella teria fornecido ao ex-espião nomes de pessoas que poderiam estar envolvidas no assassinato da jornalista russa Anna Politkovskaya, opositora do Kremlin, crime que estava sendo investigado por Litvinenko. Alexander Litvinenko foi coronel do Serviço Federal de Segurança (antigo KGB, ao qual Putin também pertenceu) e vivia desde 2001 como refugiado no Reino Unido, onde o governo lhe havia concedido nacionalidade britânica. Antes de morrer, Litvinenko ditou uma carta na qual acusa o Kremlin e o presidente Putin pelo seu envenenamento.

Agencia Estado,

30 Novembro 2006 | 13h48

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