Investigação leva a prisões no Paquistão

Até oito 'cúmplices' teriam sido detidos em Karachi, incluindo militantes e parentes do principal suspeito; Islamabad promete cooperação irrestrita

NYT e Reuters, O Estado de S.Paulo

05 Maio 2010 | 00h00

ISLAMABAD

A investigação do atentado frustrado em Nova York, no sábado, levou forças de segurança de Islamabad a deter entre sete e oito pessoas na cidade de Karachi, no sul do Paquistão. A informação foi divulgada ontem por agentes da inteligência paquistanesa que pediram anonimato.

Um dos presos foi identificado como Tauhid Ahmed. Ele supostamente vinha mantendo contato por e-mail com o paquistanês naturalizado americano Faisal Shahzad, acusado de ter estacionado o carro com explosivos na Times Square. Não está claro ainda se os dois se conheceram em Nova York ou em Karachi, para onde Shahzad viajou em abril.

Outro nome revelado pelas forças paquistanesas é o de Muhammad Rehan, que teria acompanhado Shahzad na sua última visita ao Paquistão. Autoridades afirmam que Rehan ? preso em uma mesquita logo após a prece matinal ? tem laços com o grupo militante Jaish-i-Muhammad.

"Alguns parentes" de Shahzad também estariam entre os suspeitos sob custódia das forças paquistanesas, informou uma fonte que pediu anonimato.

Promessa. Desde o 11 de Setembro, o Paquistão está sob intensa pressão dos EUA para estreitar a cooperação antiterror. Acredita-se que setores da agência de inteligência paquistanesa, a ISI, mantenham ainda laços com militantes islâmicos, após décadas de parceria entre espiões e insurgentes na luta contra forças estrangeiras.

No entanto, o governo do Paquistão rapidamente deu garantias explícitas de que pretende ajudar a Justiça americana a investigar supostos cúmplices de Shahzad. "Cooperaremos com os EUA para identificar esse indivíduo e levá-lo à Justiça", prometeu o ministro do Interior do Paquistão, Rehman Malik.

A embaixadora dos EUA em Islamabad, Anne W. Patterson, encontrou-se ontem com Malik e com o chanceler paquistanês, Shah Mehmood Qureshi, para discutir a condução das investigações.

"Temos uma cooperação na área de contraterrorismo com os EUA em andamento e, se for solicitado por Washington, poderemos ampliar totalmente a parceria em relação a essa investigação", disse o chanceler paquistanês. /

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