Investigação liga Bin Laden à inteligência do Paquistão

O telefone celular do mensageiro de confiança de Osama bin Laden, apreendido durante o ataque norte-americano que matou os dois no Paquistão, no mês passado, mostrou a existência de contatos com um grupo militante que é uma antiga fonte da agência de inteligência paquistanesa, a Inter-Services Intelligence (ISI), segundo publicou o site do jornal The New York Times na noite de ontem.

AE, Agência Estado

24 de junho de 2011 | 13h04

De acordo com o jornal, graduados funcionários norte-americanos e outras fontes, que têm informações sobre as descobertas, disseram que Bin Laden usou o grupo, Harakat-ul-Mujahedeen, como parte de sua rede de apoio dentro do Paquistão. As informações levantam questões sobre se o grupo e outras associações prestaram ajuda e apoio ao líder da Al-Qaeda em nome da agência de espionagem paquistanesa. Os funcionários e analistas disseram ao jornal que ISI havia mencionado o Harakat e permitiu que ele operasse no Paquistão por pelo menos 20 anos.

Ao rastrear as chamadas no telefone celular, analistas norte-americanos descobriram que comandantes do Harakat tinham telefonado para funcionários da agência de inteligência paquistanesa, afirmou um graduado funcionário norte-americano. Os funcionários lembraram que os contatos não eram necessariamente sobre Bin Laden e que não há evidências de que a ISI deu proteção ao líder da Al-Qaeda.

Além de fornecer pistas sobre por que Bin Laden conseguiu viver confortavelmente durante anos em Abbottabad, cidade dominada pelo Exército paquistanês e localizada a apenas 56 quilômetros da capital Islamabad, a descoberta também pode lançar luz sobre a secreta odisseia de Bin Laden, depois de ele ter escapado das forças norte-americanas na região de Tora Bora, no Afeganistão, quase dez anos atrás.

O Harakat tem raízes profundas na área ao redor de Abbottabad, disseram analistas familiarizados com o assunto ao NYT. Seus líderes têm fortes ligações tanto com a Al-Qaeda quanto com a inteligência paquistanesa. O graduado funcionário norte-americano não identificou os comandantes cujos números estavam no telefone celular do mensageiro, mas disse que os militantes estavam no Waziristão do Sul, onde a Al-Qaeda e outros grupos mantiveram suas centrais durante anos.

A rede Harakat pode ter permitido que Bin Laden passasse mensagens e dinheiro para membros da Al-Qaeda no local e em outras partes da região tribal paquistanesa, segundo analistas e funcionários norte-americanos.

Bin Laden e seu mensageiro, Ibrahim Saeed Ahmed, foram descobertos pela inteligência norte-americana por meio da interceptação de uma ligação telefônica de Ahmed, o que colocou em ação uma busca secreta da CIA na região de Abbottabad, que culminou no ataque de 2 de maio no qual uma força de operação especial da Marinha, os Seals, mataram Bin Laden, Ahmed, seu irmão Abrar e outras duas pessoas.

A AP entrou em contato, por telefone celular, com o chefe do Harakat, Fazle-ur-Rahman Khalil, no mês passado. Ele negou as acusações de que tenha estado em contato com Bin Laden no período no qual o líder da Al-Qaeda esteve escondido em Abbottabad. "Isso é 100% errado, é um lixo", afirmou Khalil. "Osama não tinha contato com ninguém". A AP conseguiu o número de Khalil por meio de um antigo auxiliar, que deixou o grupo. As informações são da Associated Press.

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