REUTERS/Marco Bello
REUTERS/Marco Bello

Investigação parlamentar na Venezuela aponta sumiço de US$11 bi na PDVSA

Comissão de fiscalização diz que há amplas irregularidades na empresa entre 2004 e 2014

O Estado de S.Paulo

19 de outubro de 2016 | 22h25

CARACAS  - Uma investigação parlamentar comandada pela oposição venezuelana acusou nesta quarta-feira a gigante estatal do petróleo da Venezuela, a PDVSA, de corrupção em razão de US$ 11 bilhões em recursos que supostamente não foram contabilizados quando o poderoso Rafael Ramírez estava no comando da empresa de 2004 a 2014.

“Isso é mais do que o orçamento de cinco países da América Central”, afirmou o presidente da comissão, Freddy Guevara, alegando amplas irregularidades na empresa.

“Estamos falando de US$ 11 bilhões que eles não podem justificar”, acrescentou ele, apresentando o relatório da comissão de fiscalização.

A PDVSA gerencia as maiores reservas mundiais, é responsável por 95% dos rendimentos com a exportação de petróleo da Venezuela e tem sido o motor financeiro de 17 anos de regime socialista no país sul-americano membro da Opep.

Críticos e investigadores há muito tempo acusam a empresa de corrupção, mas a PDVSA diz ser vítima de uma campanha da direita, liderada pelos Estados Unidos e a mídia internacional, para sabotar o socialismo na Venezuela.

Nem a PDVSA nem Ramírez, que atualmente é representante da Venezuela na ONU, responderam aos pedidos de comentário sobre o relatório da comissão, cuja principal função é auditar o governo e as empresas ligadas ao governo.

A Venezuela está mergulhada numa grande crise econômica e social, agravada pela queda dos preços do petróleo desde meados de 2014, que tem levado à escassez de alimentos e remédios em todo o país.

Levantando o espectro de default, a PDVSA afirmou na segunda-feira que “poderia ser difícil” pagar os grandes compromissos iminentes da dívida se uma proposta troca de títulos no valor de US$ 5,3 bilhões não ocorrer.

"Se a PDVSA não é capaz de pagar seus credores internacionais, é porque eles roubaram esse dinheiro”, afirmou Guevara, dizendo que os chefes da empresa estão bastante cientes das irregularidades.

A investigação do Congresso tem como foco 11 casos, de um escândalo bancário em Andorra até um suposto sobrepreço na compra de equipamentos de petróleo. As acusações têm como base documentos da PDVSA, da empresa de auditoria KMMG e investigações estrangeiras.

O relatório provavelmente não será bem recebido pelo governo do presidente Nicolás Maduro, que tem marginalizado o Congresso desde que a oposição conquistou a maioria nas eleições de dezembro, o chamando de ilegítimo e alertando que seus dias podem estar contados.

A Suprema Corte, que se mostra favorável ao governo, anulou todas as principais decisões do Congresso.

Parlamentares do Partido Socialista, do governo, não compareceram à sessão de quarta-feira quando o relatório sobre a PDVSA foi aprovado pela comissão. / REUTERS

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.