Investigação sobre explosão do Columbia desmoraliza a Nasa

A comissão que investiga a explosão do ônibus espacial Columbia, em 1º de fevereiro, apurou que a Nasa obrigou funcionários encarregados de conferir se as naves eram seguras a comprarem suas próprias ferramentas e os impediu de realizarem verificações in loco. A revelação coincide com o anúncio de que os sete astronautas do Columbia viveram por quase um minuto depois da última comunicação com o centro de controle da missão, bem depois dos sinais de que a nave estava em sérias dificuldades. O brigadeiro Duane Deal, um dos 13 membros da comissão, disse que o relatório sobre o acidente, cuja divulgação está prevista para agosto, vai "bater pesado" no setor da Nasa responsável pela manutenção dos ônibus espaciais. Deal disse ter obtido as informações de 72 funcionários da agência e de empresas subcontratadas. Segundo ele, as investigações indicam que gerentes da Nasa "talvez não tivessem noção da realidade de vôos espaciais tripulados" no tocante a manutenção. Questões burocráticas eram outro entrave. "Os inspetores deveriam trabalhar com uma lente de aumento capaz de ampliar em nove vezes o tamanho dos objetos, mas só tinham uma que ampliava em três vezes. Como estava demorando meses para conseguir a lente correta, eles tiveram de comprá-la." O porta-voz da Nasa Mike Rein recusou-se a responder diretamente às afirmações de Deal, mas disse que a agência está revendo diversos tipos de procedimento depois do acidente. "Estamos trabalhando duro e a área de segurança é especialmente importante." Investigadores da Nasa estão examinando dados de um sistema de registro do sensor de bordo que continuou a funcionar bem depois que a Columbia explodiu. As gravações indicam que a cápsula dos astronautas sofreu fortes solavancos e a tripulação viu leituras do sensor que alertavam para danos sérios. "A cápsula é muito resistente, é a última parte a se desintegrar, exatamente como aconteceu com a Challenger", disse um investigador, referindo-se à explosão de outro ônibus, em 1986. "Ela permaneceu inteira durante um bom tempo." A Nasa tem sido discreta a respeito dessas informações e garantiu que não vai revelar o que considera detalhes mórbidos.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.