Investigação sobre morte de Hariri entra em fase decisiva

A investigação da comissão da ONU sobre o assassinato do ex-primeiro-ministro libanês Rafik Hariri entrou numa "fase decisiva", segundo o último relatório sobre o caso, divulgado nesta quarta-feira.O chefe da Comissão Independente da ONU, o juiz belga Serge Brammertz, revela que existem vínculos entre o assassinato de Hariri, em 14 de fevereiro de 2005, e outros 14 ataques no Líbano desde outubro de 2004. "O trabalho da Comissão revela vínculos importantes", diz o dossiê.Em relatórios anteriores a Comissão envolveu funcionários sírios e libaneses no assassinato. Mas Brammertz mantém a sua política de confidencialidade para não "prejudicar o caso"."A investigação do assassinato de Rafik Hariri entrou numa fase complicada e sensível, por isso é preciso fazer o trabalho de forma confidencial para criar um ambiente seguro", afirma o relatório.Brammertz explica que a Comissão ainda avalia o vídeo do palestino Ahmad Abu Adass, que reivindica a autoria do atentado. Outra frente investiga os motivos do assassinato, analisando diferentes hipóteses.Uma razão poderia ser a vinculação de Hariri com outros países e a sua posição a favor da resolução 1559 do Conselho de Segurança e contra a reforma constitucional que prolongaria o mandato do presidente pró-sírio Émile Lahoud.Outra hipótese leva em consideração a sua possível influência nas eleições parlamentares de maio de 2005. Brammertz também investiga os negócios de Hariri. Ele considera a hipótese de que outras motivações tenham sido utilizadas pelos autores do crime como uma cortina de fumaça, com a intenção real de acusar outras pessoas.Brammertz afirma que a cooperação da Síria tem sido "oportuna e eficiente". Todas as solicitações de documentação e reuniões foram atendidas de maneira "satisfatória".Nos primeiros relatórios, ele criticava as autoridades de Damasco por falta de cooperação. Setores políticos libaneses aproveitaram para acusar o Governo sírio pela autoria do atentado. A pedido do Governo do Líbano, a Comissão investiga também o assassinato, em novembro, do ministro da Indústria, Pierre Gemayel.

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