Investigação sobre morte de Jean Charles aponta novos erros

Os equipamentos de transmissão e radio digital utilizados pelas autoridades da Scotland Yard e agentes de policia que dispararam contra o brasileiro Jean Charles de Menezes no metrô de Londres não funcionaram corretamente e podem ser uma das causas do assassinato do jovem.De acordo com reportagem publicada pelo tablóide Daily Mirror, as câmeras digitais e os equipamentos de som, que deveriam gravar cada transmissão e a ordem de perseguição a Menezes, não funcionaram na manhã de 22 de julho de 2005, quando a policia britânica disparou contra o brasileiro.A falha, que provavelmente foi provocada por um problema técnico, significa que não existe um controle permanente das palavras e ações de comando ordenadas pelos comandantes da operação aos policiais que dispararam os tiros que assassinaram Jean Charles.Os erros foram admitidos pelas autoridades da Scotland Yard e pela Comissão Independente de Queixas da Policia (IPCC), que entregou seu boletim à Procuradoria-geral. Jean Charles de Menezes, que tinha 23 anos, foi assassinado por policiais na estação de metrô de Stockwell, sul de Londres. A policia alegou tê-lo confundiu com um homem-bomba ou "atacante suicida".Aparelhos danificadosUm dia antes do assassinato de Jean Charles, uma ameaça de atentado nos metrôs londrinos colocou a polícia em alerta. Semanas antes, ataques a bomba no sistema de transporte de Londres deixaram 52 pessoas mortas e mais de 700 feridas. Segundo o Mirror, os equipamentos de gravação sonora e digital, avaliados em 45 mil dólares, podem ter sido danificados quando utilizados pela policia conhecida como GT3."É estranho que esses aparelhos de gravação não tenham funcionado nesse dia. Os que enxergam teorias conspirativas dirão que as gravações foram destruídas para encobrir um fato. No entanto, a falta de provas dificulta a própria absolvição dos policiais envolvidos", declarou uma fonte da Scotland Yard.As falhas poderiam envolver a comandante Cressida Dick na operação que terminou com a morte de Menezes. Colegas de Cressida, no entanto, disseram que ela agiu corretamente ao não instruir os policiais a atirar contra o suspeito.Documentos recentemente revelados pela IPCC mostram que foram cometidos "muitos erros" que levaram à morte do brasileiro Jean Charles, como falha na comunicação entre os policiais e seus superiores, irregularidades no relatório policial daquele dia (22 de julho) e demoras para capturar com vida o jovem, ao invés de matá-lo com tiros à queima roupa.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.