EFE/PRESIDENCIA DE ARGENTINA/
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Investigação sobre patrimônio de Macri avança na Argentina

Presidente argentino foi citado no escândalo Panamá Papers como sócio de empresas em paraísos fiscais

Rodrigo Cavalheiro CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES, O Estado de S. Paulo

29 Junho 2016 | 21h05

A Justiça argentina ordenou nesta quarta-feira, 29, que uma análise técnica apure incongruências nas declarações de bens do presidente Mauricio Macri de 2013 a 2015, quando ele era prefeito de Buenos Aires. A solicitação, feita pelo juiz Sebastián Casanello ao Escritório Anticorrupção e ao governo da capital argentina, está dentro do inquérito que investiga o presidente por envolvimento com offshores em paraísos fiscais, denunciado em abril no escândalo Panamá Papers. 

Casanello atendeu a um pedido do promotor Federico Delgado, com uma importante adaptação. As duas instituições às quais o magistrado solicitou a informação são comandadas pela coalizão Cambiemos, à qual pertence Macri. O Ministério Público havia sugerido que a análise das declarações fosse feita por peritos da Universidade de Buenos Aires. 

Macri governou a capital argentina entre 2007 e 2015, período em que a parlamentar Laura Alonso tornou-se conhecida pelas denúncias contra o kirchnerismo. Sua proatividade a levou a coordenar o Escritório Anticorrupção no atual governo federal. Ela defendeu Macri com um tuíte logo após ele ser mencionado no Panamá Papers. “Constituir sociedade em um paraíso fiscal não é um delito em si mesmo, a menos que se prove que foi um meio para lavar dinheiro, praticar sonegação ou outro delito”, escreveu.

O deputado kirchnerista Darío Martínez, autor da denúncia contra Macri está cético. “O juiz fez o correto, fez o pedido aos órgãos que deveria procurar, ainda que quem esteja no comando dessas instituições já tenha se manifestado e provavelmente não dê a resposta tecnicamente correta”, disse ao Estado.

Macri foi ligado ao Panamá Papers por participação na diretoria de uma sociedade offshore nas Bahamas, criada e presidida por seu pai, Franco Macri. O presidente argumentou que a empresa em questão, a Fleg Trading, encerrou suas operações em 2008, sem ter sido usada na prática para investimentos. 

A promotoria sugere que Macri incorreu em crime ao omitir de suas declarações sua participação na Kagemusha, uma outra offshore, de origem panamenha, na qual sua presença como diretor foi descoberta após a repercussão do caso. 

Convento. O caso Panamá Papers tem sido citado pelo kirchnerismo para tentar em vão tirar do noticiário local a sequência de escândalos de corrupção envolvendo o grupo da ex-presidente Cristina Kirchner. 

O caso de maior repercussão é o do ex-secretário de Obras José López, flagrado há um mês jogando sacolas com US$ 8,9 milhões sobre o muro de um convento. Ontem, a emissora TN divulgou fotos que provam a proximidade entre o centro religioso e o governo que antecedeu o de Macri. Há imagens de Alicia Kirchner, irmã de Néstor e governadora da Província de Santa Cruz, com as freiras a quem López disse querer entregar os milhões.

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