Arquivo/Reuters
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Investigação tem indícios de que dados de celular e computador de Nisman foram apagados

Segundo dois jornais argentinos, peritos se concentram em análise de aparelhos eletrônicos de promotor, encontrado morto em janeiro

Rodrigo Cavalheiro - CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES, O Estado de S. Paulo

02 de junho de 2015 | 19h59

BUENOS AIRES - A investigação feita sobre o computador e o celular do promotor Alberto Nisman, cujo corpo foi encontrado com um tiro na cabeça em seu banheiro em Buenos Aires no dia 18 de janeiro, vê indícios de que dados foram apagados dos aparelhos, segundo dois jornais argentinos. Após quatro meses, o trabalho sobre as circunstâncias da morte ficou travado em divergências entre peritos oficiais, que pendem para um suicídio, e os contratados pela família de Nisman, que asseguram ter se tratado de um homicídio.

No fim de semana, o jornal La Nación informou que três pen drives foram inseridos no laptop que Nisman costumava usar no quarto de sua filha, às 20h07 do dia 18. A essa altura, ele estava morto segundo todos os peritos consultados no caso - os especialistas oficiais apontam a morte na tarde de domingo, enquanto os indicados pelos parentes dizem que ocorreu na véspera.

A promotora Viviana Fein, encarregada da investigação, admitiu que a informação sobre os pen drives está correta, mas alertou que o horário pode ter sido alterado deliberadamente. Também não está claro como três aparelhos foram inseridos simultaneamente em um computador com entrada para dois deles. Os peritos agora usam um computador idêntico para saber qual o grau de proteção da máquina e se ela poderia ter esses horários modificados à distância.

Nesta terça-feira, 2, um novo detalhe aumentou o mistério em torno da morte de Nisman, que investigava havia dez anos o atentado contra a Associação Mutual Isrealita-Argentina (Amia) que matou 85 em 1994. Na manhã do domingo em que Nisman foi encontrado morto, houve em seu computador acesso a três sites de jornais que o promotor costumava consultar. A novidade é que, após revisar o e-mail, uma última palavra que consultada no buscador Google: psicodelia.  

Também nesta terça-feira, o jornal Clarín publicou que análises preliminares mostram pelo menos dez entradas remotas ao computador para apagar dados, bem como mudar horário e data. Segundo peritos ouvidos pelo jornal, o telefone do promotor tinha ainda um vírus que apagou mensagens de texto e uma conversa no programa whatsapp com uma de suas filhas. 

Após a junta médica de legistas ter divergido em suas análises, Fein prometeu uma resposta para o caso em até um mês. Ela enfrenta críticas por irregularidades e erros técnicos na investigação - um vídeo divulgado no domingo mostra peritos limpando o sangue da arma com papel higiênico e manchando as balas restantes, onde poderia haver digitais de quem carregou a pistola calibre 22. A arma, segundo o técnico em informática Diego Lagomarsino, que trabalhava para Nisman, foi emprestada e armada por ele na véspera.

Nisman apareceu morto quatro dias após denunciar a presidente Cristina Kirchner por acobertar iranianos considerados pela Justiça argentina culpados do ataque terrorista à Amia. Ele acusava ela e a cúpula kirchnerista de protegê-los em troca de acordos comerciais com o Irã. A Justiça argentina arquivou a denúncia de Nisman. 

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