Investigações avançam nos EUA

Mohamed Atta e seus colaboradores suicidas receberam ordens no Afeganistão, foram treinados por Mohamed Atef, chefe militar do grupo Al-Qaeda, e doutrinados pelo "médico-terrorista" Ayman al-Zawahri. Deste modo, e com a aprovação do milionário saudita Osama bin Laden, a maior operação terrorista da história começou a percorrer seu caminho até Nova York e Washington. No dia seguinte à divulgação, em Londres, do relatório contendo as provas obtidas pelos Estados Unidos contra os autores dos ataques de 11 de setembro, a CIA e o FBI começaram a revelar o que realmente têm em mãos. Os investigadores escolhem o caminho do vazamento de informações, estudado para que o público finalmente conheça o que eles sabem. Nos Estados Unidos de George W. Bush, são raros os "vazamentos" à imprensa e, nos últimos dias, provavelmente eles contam com a silenciosa aprovação da Casa Branca. O atual cenário é o de uma investigação que em menos de um mês reuniu elementos importantes para reconstruir o que aconteceu. O presidente Bush revelou que, desde 11 de setembro, cerca de 150 suspeitos de terrorismo foram detidos nos Estados Unidos e no exterior. Sobre todos eles recaem suspeitas de que estejam vinculados de algum modo à Al-Qaeda e a outros 50 grupos. Mas os investigadores estão aflitos com o que eles ainda não sabem. O FBI e a CIA, por exemplo, acreditam haver "100%" de chances que novos ataques ocorrerão, principalmente porque ainda não foram individualizadas as outras células terroristas que quase seguramente ainda estão presentes nos Estados Unidos. Se a questão da prevenção de novos atentados não teve nenhum resultado importante, a reconstrução dos atentados conta com muitos elementos. A CIA, de acordo com a revista Time, possui documentos que comprovam as viagens de Atta, suposto chefe do comando que realizou os ataques, ao Afeganistão. Mohamed Atef e Ayman al-Zawahri, segundo o serviço secreto norte-americano, são as mentes por trás dos ataques contra os Estados Unidos. O primeiro ocupou-se do treinamento e o segundo do planejamento. Atef e Al-Zawahri são os mesmos dois homens acusados de organizar, por ordem de Bin Laden, os atentados contra as embaixadas dos Estados Unidos no Quênia e na Tanzânia, em 1998. Agora mais do que nunca os Estados Unidos querem capturar não apenas o milionário saudita, mas também seus dois colaboradores mais fiéis. Detidos ligados a Bin Laden em diversas partes do mundo teriam reconhecido, por meio de fotografias dos seqüestradores, seus companheiros de treinamento no Afeganistão. Do Iêmen, onde fica o quartel general da Al-Qaeda, chegaram documentos e indícios decisivos para a investigação, principalmente por meio de escutas telefônicas. A caça aos terroristas ainda em liberdade prossegue também na Internet. O FBI tenta reconstituir a vasta atividade desenvolvida pelos seqüestradores na rede mundial de computadores nos meses que antecederam os atentados. Muitas de suas comunicações poderiam ter sido feitas em código e é provável que estejam escondidas em imagens difundidas pela Internet.

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