Investigações prosseguem, afirma Itamaraty

O Ministério das Relações Exteriores divulgou uma nota sobre os esforços empreendidos pelo governo brasileiro para tentar obter a libertação do engenheiro brasileiro João José Vasconcellos Júnior, seqüestrado em janeiro de 2005 no Iraque. Vasconcellos trabalhava para a construtora Norberto Odebrecht. A nota afirma que o caso foi tratado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelo ministro Celso Amorim "com interlocutores do mais alto nível", e lembra que Amorim recebeu, em março do ano passado, o original de um documento de Vasconcellos. O Itamaraty ressalta ainda que a notícia da morte do brasileiro, divulgada também em março de 2005 pela agência italiana Ansa, continua sem confirmação.Abaixo, a íntegra da nota do ministério: Seqüestro do Engenheiro João José Vasconcellos Júnior no Iraque O cidadão brasileiro João José Vasconcellos Júnior foi seqüestrado no Iraque, em 19 de janeiro de 2005, quando o comboio que o transportava a Bagdá foi emboscado em estrada vicinal próxima à cidade de Baiji, no chamado Triângulo Sunita. Ao tomar conhecimento desse lamentável episódio, o Ministério das Relações Exteriores determinou asuas unidades em Brasília e no exterior que procedessem de imediato ao levantamento e análise de todas as informações disponíveis sobre o caso. A questão do seqüestro do cidadão brasileiro no Iraque foi tratada pelo Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelo Ministro Celso Amorim com interlocutores do mais alto nível. Ouviram de todos a disposição de cooperar com o Governo brasileiro. Essas gestões propiciaram a aberturade novos canais de comunicação, sempre na busca de um desfecho favorável para o caso. Foi criado grupo para monitorar e avaliar a evolução dos acontecimentos, integrado por funcionários do Itamaraty, do Gabinete deSegurança Institucional da Presidência da República e da Agência Brasileira de Inteligência. As ações desse grupo vêm sendo desenvolvidas em contato permanente com a empresa Norberto Odebrecht, empregadora do Senhor João José Vasconcellos Júnior, e com a família doengenheiro brasileiro. O Itamaraty adotou uma série de providências com vistas a ampliar a rede de informações sobre o caso e realizar gestões em prol do engenheiro brasileiro. Dentre as iniciativas, cabe destacar o envio à região do Embaixador Extraordinário para o Oriente Médio, Affonso Celso de Ouro-Preto, para contatos em vários países árabes; o envio a Bagdádo Embaixador do Brasil na Tunísia, Sergio Barcellos Telles, e do Chefe do Núcleo Iraque da Embaixada do Brasil em Amã; a realização de missões a diferentes países, ao longo de 2005; a ampliação dos esforços e gestões conduzidos pelas Embaixadas e Representações brasileiras naregião; e a formulação de apelos humanitários, no Brasil e no exterior, em favor da libertação do cidadão brasileiro, com o apoio depersonalidades políticas, esportivas e religiosas. Membros das comunidades árabe e islâmica no Brasil também cooperaram na busca de informações sobre o paradeiro do engenheiro brasileiro. As iniciativas do Governo brasileiro foram - e continuam a ser - tomadas com a cautela e a discrição necessárias, tendo em conta anatureza sensível e dramática do problema. O seqüestro ocorreu em região conflagrada, foco de intensos bombardeios aéreos e combates. Adifícil situação prevalecente no Triângulo Sunita, durante grande parte dos últimos 12 meses, dificultou sobremaneira a realização deInvestigações. O Governo brasileiro continua empenhado em obter informações que levem ao esclarecimento do seqüestro e ao desfecho do caso. As Embaixadas brasileiras na região estão mobilizadas e o Núcleo Iraque da Embaixada na Jordânia acompanha todos os desdobramentos e mantém contatos com Governos estrangeiros. Caso necessário, poderão serorganizadas novas missões à região. Informações de apoio Tão logo se confirmou o seqüestro do Senhor Vasconcellos Júnior - mediante divulgação, em 22 de janeiro de 2005, pela rede de televisãoAl-Jazira, de vídeo contendo imagens de documentos pessoais e pertences do engenheiro brasileiro, assim como de nota de reivindicação da autoria do atentado pelas Brigadas Al Mujaheddin e pelo Exército de Ansar al-Sunna, grupos insurgentes que atuam no território iraquiano -, o Itamaraty determinou a adoção das seguintes providências: a) Ampliação da rede de contatos para levantamento de informações sobre o caso; b) envio imediato à região do Embaixador Extraordinário para o OrienteMédio, Affonso Celso de Ouro-Preto, para contatos na Jordânia, Síria, Líbano e Palestina, entre outros; c) ampliação dos esforços e gestões conduzidos pelas Embaixadas e Representações brasileiras no Oriente Médio e junto a países quepassaram por situações semelhantes, como China, França e Itália, ou que estivessem em posição de colaborar, como Espanha, Estados Unidos daAmérica e Reino Unido; d) realização de contatos de alto nível com interlocutores da região,dentre os quais se destaca conversa por telefone do Presidente Lula com o Presidente da Síria, em 25 de janeiro de 2005; e) formulação de apelos humanitários, no Brasil e no exterior, em proldo cidadão brasileiro; f) apoio a manifestações da população em favor da libertação do SenhorVasconcellos Júnior, entre as quais aquelas protagonizadas pela família e por amigos do cidadão brasileiro, bem como as de personalidadespolíticas, esportivas e religiosas. Desde o início do caso, o Ministério das Relações Exteriores recebeu valiosa colaboração das comunidades árabe e islâmica no Brasil, cujosrepresentantes, ademais de formularem apelos diretos pela libertação do refém brasileiro, deslocaram-se ao Oriente Médio, onde tiveramoportunidade de acompanhar o Embaixador Ouro-Preto em diversas gestões. Nesse processo, foram acatados e verificados todos os indícios esugestões considerados pertinentes ou capazes de levar ao desenlace do caso. Na segunda quinzena de fevereiro de 2005, no contexto da preparação da Cúpula América do Sul-Países Árabes, o Ministro Celso Amorim visitouJordânia, Palestina, Síria, Arábia Saudita, Omã, Catar, Kuwait, Líbano, Tunísia e Argélia. O tema do seqüestro foi abordado em diversas ocasiões, com interlocutores do mais alto nível (Presidentes, Primeiros-Ministros e Ministros de Estado). O Ministro ouviu de todos a disposição de continuar a cooperar com o Governo brasileiro, inclusive por meio de contatos no Iraque, e de fornecer todas as informações que pudessem ser apuradas. Na mesma ocasião, o Ministro Amorim renovou, com ampla divulgação, apelo público em prol da libertação do Senhor Vasconcellos Júniordurante participação no Foro Econômico de Jeddah, na Arábia Saudita, e em entrevista concedida aos jornais Al Rayah e Al Ahram, no Catar. Asgestões e contatos mantidos na viagem à região possibilitaram o agendamento de encontros adicionais entre o Embaixador Ouro-Preto eautoridades responsáveis pela área de segurança de países com presença diplomática em Bagdá, para discussão aprofundada do caso. Ao ser veiculada pela agência italiana ANSA, no dia 5 de março de 2005, notícia de que o Senhor Vasconcellos Júnior teria sido morto - notícia que continua, até o momento, sem confirmação -, o Embaixador Extraordinário do Brasil para o Oriente Médio buscou informações adicionais para verificar a sua veracidade. No mesmo sentido, asRepresentações brasileiras no Oriente Médio e a Embaixada do Brasil em Roma foram orientadas a pesquisar todos os dados disponíveis. Encontrando-se naquele momento em missão ao exterior, o Ministro Celso Amorim renovou o apelo a que os seqüestradores tornassem públicaa real situação do cidadão brasileiro. Tomou, igualmente, a decisão de enviar mais um emissário ao Oriente Médio, em reforço ao trabalho doEmbaixador Ouro-Preto. Nesse sentido, missão integrada pelo Embaixador do Brasil na Tunísia, Sergio Barcellos Telles - funcionário de altacompetência e profundo conhecedor da realidade regional - e pelo Chefe do Núcleo Iraque da Embaixada do Brasil em Amã, Ministro Paulo JoppertCrissiuma, deslocou-se a Bagdá, na segunda quinzena de março, com vistas a manter contatos e aprofundar gestões em prol do engenheirobrasileiro. A missão reuniu-se na Associação dos Clérigos Muçulmanos e contactou entidades religiosas e civis, Embaixadas e membros do Governo do Iraque, mesmo diante de situações de extremo risco. Como resultado concreto desse esforço, foi entregue ao Ministro Celso Amorim, no dia 30 de março de 2005, original de documento pertencenteao engenheiro brasileiro, cujos familiares foram imediatamente notificados do fato. Trata-se, aparentemente, do mesmo documento mostrado, no dia 22 de janeiro, pela rede de televisão Al-Jazira. Por ocasião da Cúpula América do Sul-Países Árabes, em maio de 2005, foram realizadas novas gestões pelo Presidente Lula e pelo MinistroCelso Amorim sobre o seqüestro do Senhor Vasconcellos Júnior junto a Chefes de Estado e de Governo presentes ao encontro. O EmbaixadorOuro-Preto retornou ao Oriente Médio, onde se realizavam esforços adicionais a respeito do assunto. Em junho, o Ministro Amorim reiterouapelo em favor do engenheiro brasileiro, por ocasião da Conferência Internacional sobre o Iraque, realizada em Bruxelas. Diante da continuada incerteza quanto ao paradeiro do engenheiro desaparecido, foram planejadas novas missões ao exterior, conduzidas no segundo semestre de 2005, para contatos com autoridades dos países que haviam tido experiências semelhantes com cidadãos seqüestrados noIraque. Paralelamente, a família do engenheiro João José Vasconcellos Júnior gravou mensagem com novos apelos pela obtenção de informações, a qualfoi enviada a redes de televisão do Oriente Médio para divulgação. Funcionários do Itamaraty, da Abin e da empresa Norberto Odebrechtvisitaram países europeus e retornaram diversas vezes a países do Oriente Médio, entre julho e novembro de 2005, mas não foi possívelconcluir as investigações, apesar dos indícios fornecidos e da boa vontade demonstrada pelas autoridades estrangeiras contactadas. Os contatos sobre o caso têm incluído interlocutores governamentais, autoridades de inteligência, organizações não-governamentais, grupos religiosos e de assistência humanitária, epersonalidades do Oriente Médio e de outras regiões. O Governo brasileiro tem agido com firmeza e determinação na busca de um desfechopara o caso, sempre em contato com a empresa Norberto Odebrecht e com a família do Senhor Vasconcellos Júnior.

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