Investigações sobre morte de Hariri vão demorar, avisa juiz

O juiz belga Serge Brammertz, que lidera a comissão da ONU que investiga o assassinato do ex-primeiro-ministro libanês Rafik Hariri, considera improvável que a investigação seja concluída em menos de três meses. "Acho que não termina em três meses. Uma investigação desta natureza normalmente é feita em longo prazo, mas acho quase impossível prever se durará três ou oito meses", disse Brammertz, depois de apresentar seu relatório ao Conselho de Segurança (CS) da ONU. "Tudo dependerá dos avanços que faremos, seguindo velhas e novas pistas. Só quero deixar claro que o trabalho que estamos fazendo é uma continuação do que fez o meu antecessor", declarou. Em seu relatório, Brammertz afirma que houve a participação de terroristas experientes, mas não cita os nomes dos suspeitos do atentado, cometido em 14 de fevereiro de 2005. O relatório é a continuação de outro apresentado por seu antecessor, o promotor alemão Detlev Mehlis, que responsabilizou agentes dos serviços de segurança do Líbano e da Síria. Brammertz destacou que, para continuar com a apuração, precisa de mais recursos humanos para sua equipe. Desde que assumiu o cargo, ele conta apenas com seis especialistas. "Nossa equipe tem uma experiência excelente, mas são necessários mais investigadores e analistas. Deixei isso claro hoje diante do Conselho", afirmou. Ele também deu ênfase ao acordo de cooperação que sua comissão assinou com a Síria, que, na sua opinião, é "de suma importância para avançar nas investigações". "Sabemos que esta cooperação não aconteceu no passado e estamos satisfeitos porque teremos uma maior clareza a partir do acordo de cooperação com as autoridades sírias", afirmou. No entanto, ele ressaltou que só nas próximas semanas poderá perceber se há motivos para mostrar um "otimismo moderado" sobre o grau de cooperação. O embaixador sírio na ONU, Fayssal Mekdad, disse que "espera demonstrar sua cooperação em breve", e reiterou que seu país sempre se ofereceu para colaborar com as investigações. Depois de apontar que a Comissão está seguindo novas pistas, em vez de se ater às primeiras que surgiram, Mekdad expressou a esperança de seu Governo de que as novas linhas de investigação "possam levar à identificação dos autores deste horrendo atentado". Ao fim da reunião, os membros do CS emitiram uma declaração de apoio ao trabalho da Comissão e ao próprio Brammertz. E elogiaram o acordo de cooperação com a Síria. O embaixador da França, Jean Marc de la Sablière, afirmou que Brammertz está realizando um "bom trabalho" e disse entender perfeitamente a omissão de muitos detalhes no relatório, por se tratar de um documento preliminar.

Agencia Estado,

16 Março 2006 | 21h34

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.