Investigador brasileiro apresenta à ONU lista de supostos criminosos de guerra sírios

Paulo Sérgio Pinheiro entregará relação confidencial de autoridades que ordenaram ataques e massacres

16 de setembro de 2012 | 19h12

Jamil Chade - Correspondente em Genebra

O brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro entregará a ONU uma lista confidencial de nomes de indivíduos e de unidades militares que teriam cometido crimes contra a humanidade na Síria. Hoje, Pinheiro apresenta ao Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas o que seria seu relatório final das violaçoes que documentou no país. 

O governo americano já indicou que irá propôr uma ampliação e fortalecimento do mandato de Pinheiro para continuar a investigar os crimes cometidos na Síria. "A crise não acabou e o que o comitê de inquérito fez foi fundamental para reunir dados sobre crimes", explicou a embaixadora dos Estados Unidos na ONU, Eileen Donahoe. "Queremos renovar o mandato da investigaçao e dar apoio financeiro para que possam fazer seu trabalho", indicou a diplomata. Washington não nega que o trabalho de Pinheiro tem ajudado a colocar pressão sobre os sírios e revelar ao mundo os crimes cometidos no país.

Mas, até que o mandato seja renovado, Pinheiro quer deixar aos governos um amplo banco de dados sobre tudo o que ocorreu em Damasco desde março de 2011. No dia 15 de agosto, Pinheiro lançou um informe em que apelava à comunidade internacional para que atuasse para frear a violência na Síria. Mas prometia entregar à ONU uma lista que, no futuro, poderia servir de base para um eventual processo no Tribunal Penal Internacional.  

A lista que será entregue agora conta com pessoas que se considera como "responsáveis por crimes contra a humanidade e violações de direitos humanos". A comissao liderada pelo Brasil espera que seu trabalho de coleta de informações permita que os responsáveis por mais de 20 mil mortes sejam levado à Justiça. A lista não se limitaria aos que cometeram os crimes nas ruas das cidades sírias, mas tambem incluria toda cadeia de comando, inclusive aqueles que os ordenaram e estimularam os atos.

Pinheiro evita falar de Assad. Mas já indicou que existe a "implicação dos mais altos niveis das forças armadas e do governo" nos crimes. "As ordens se aplicam com a ponta de uma pistola. Quem duvida se arrisca em ser executado de maneira sumária", apontou o documento.

Pinheiro também acusou a liderança dos rebeldes de estar implicado em crimes de guerra e deixa claro que a Síria vive um "conflito armado nao internacional", termo legal para designar uma guerra civil.

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