Suliman el-Oteify/AP
Suliman el-Oteify/AP

Investigadores afirmam ter ‘90% de certeza’ que bomba causou acidente no Sinai

A partir de análises das caixas-pretas, equipe de investigação alega que barulho ouvido no final de gravação de conversa no cockpit da aeronave foi decorrente de uma explosão causada por uma bomba

O Estado de S. Paulo

08 de novembro de 2015 | 15h19

CAIRO - Os investigadores da queda do avião russo que caiu na Província do Sinai, no Egito, afirmam ter "90% de certeza" de que um barulho ouvido no segundo final de gravação da conversa no cockpit da aeronave foi decorrente de uma explosão causada por uma bomba, disse neste domingo, 8, um integrante da equipe de investigação.

"As indicações e análises até agora do som gravado pela caixa-preta sinalizam que foi uma bomba", afirmou o membro da equipe de investigação, que pediu para não ser identificado. "Nós temos 90% de certeza de que foi uma bomba."

Militantes do Estado Islâmico (EI) que combatem as forças de segurança no Sinai têm dito que derrubaram o Airbus A-321, que caiu 23 minutos após decolar da região turística de Sharm el-Sheikh na semana passada, a caminho de São Petersburgo, matando todos os 224 passageiros que estavam a bordo.

Autoridades dizem que estão examinando todos os possíveis cenários sobre o que poderia ter causado o desastre.

O primeiro-ministro francês, Manuel Valls, declarou hoje que nenhuma hipótese deve ser descartada sobre as causas da queda do avião russo e afirmou que a possibilidade de atentado é "levada muito a sério". "Não devemos descartar nenhuma hipótese, mas evidentemente a hipótese de um atentado é levada muito a sério", disse em entrevista.

O Egito resiste a aceitar a tese de que um atentado com bomba provocou a queda. Mas os governos da Grã-Bretanha e dos Estados Unidos cogitam abertamente a possibilidade. A Rússia não fala oficialmente sobre a questão, mas suspendeu os voos civis para o Egito na sexta-feira.

Questionado sobre a situação francesa, Valls declarou que o país enfrenta uma "ameaça inédita e de grande envergadura". "Enfrentamos um inimigo externo e um inimigo interno, grupos que estão na Síria e no Iraque, e todos os dias nossos serviços de inteligência prendem indivíduos que podem representar um perigo".

Repatriação. A Rússia repatriou nas últimas 24 horas cerca de 11 mil turistas que estavam no Egito, informou a agência de notícias RIA. No entanto, dezenas de milhares de russos ainda esperam por voos para levá-los para casa. Milhares de turistas, principalmente britânicos e russos, estavam em Sharm el-Sheikh.

Um oficial britânico disse no sábado que poderia levar até dez dias para repatriar todos os turistas britânicos que permanecem no Egito. /REUTERS e EFE

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