U.S. Embassy Ulaanbaatar via AP
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Investigadores do impeachment de Trump pedem a ex-conselheiro John Bolton que deponha

Não está claro se Bolton comparecerá na audiência prevista para o dia 7; como um ex-conselheiro de Trump, a Casa Branca pode alegar que ele está absolutamente imune de fornecer testemunho ao Congresso

Redação, O Estado de S.Paulo

30 de outubro de 2019 | 19h31

WASHINGTON  - Investigadores do processo de impeachment na Câmara pediram nesta quarta-feira, 30, ao ex-conselheiro de Segurança Nacional da Casa Branca John Bolton para que deponha na próxima semana. Segundo o New York Times, a mesma requisição foi feita a outros dois altos funcionários da Casa Branca – todos por meio de cartas com pedidos voluntários e não intimações. 

Segundo relato de testemunhas que conversaram com os investigadores, o depoimento de Bolton poder ser um marco no processo. Essas testemunhas descreveram como o ex-conselheiro ficou alarmado à medida que via a atuação do advogado do presidente Donald Trump, Rudolph Giuliani, e outros assessores próximos para que a Ucrânia cedesse à pressão para investigar adversários políticos do presidente. Bolton deixou o cargo em setembro em meio a desavenças com Trump

No entanto, não estava claro se Bolton comparecerá. Como um ex-conselheiro de Trump, a Casa Branca poderia alegar que ele está absolutamente imune de fornecer testemunho ao Congresso e direcioná-lo a não comparecer. Bolton, um antigo republicano, terá então de decidir se desafiará a vontade da Casa Branca, que tem orientado seus funcionários e ex-funcionários a não comparecer. 

Além do pedido a Bolton, cuja audiência está marcada para quinta-feira da próxima semana, os investigadores na Câmara fizeram pedidos a John Eisenberg, o mais alto conselheiro jurídico do Conselho de Segurança Nacional, e Michael Ellis, um de seus vices, ambos convidados a falar na segunda-feira. Eles enfrentam o mesmo dilema de Bolton sobre satisfazer à diretiva da Casa Branca ou à demanda do Congresso. 

Enquanto republicanos têm sido extremamente críticos ao processo na Câmara, Trump tem pedido a seus aliados que o defenda com relação às alegações contra ele. Trump afirma não ter feito nada de errado na ligação, em julho, para o presidente da Ucrânia, Volodmir Zelensky, na qual o pressionou a investigar o adversário democrata e ex-vice-presidente Joe Biden e seu filho Hunter. 

A investigação no Congresso para levar a um julgamento político do presidente avançava nesta quarta-feira a todo vapor, com novos testemunhos, às vésperas de uma primeira votação, amanhã, sobre o processo no plenário. Na votação desta quinta, a Câmara vai deliberar sobre as audiências públicas e a liberação das transcrições dos depoimentos. 

Decididos a avançar rapidamente em sua investigação, os congressistas democratas sabatinam hoje três diplomatas sobre a política americana na Ucrânia, país no centro da polêmica. Os testemunhos têm sido realizados a portas fechadas na Câmara dos Deputados.

Cinco semanas depois de decidir embarcar no perigoso caminho do julgamento político, os democratas, que controlam a Câmara, já interrogaram dez funcionários do alto escalão, incluindo embaixadores e assessores da Casa Branca. 

Cronograma poderá se estender até janeiro 

O número surpreendente de testemunhas que concordaram em falar ao Capitólio a portas fechadas nas últimas semanas deve estender o cronograma do processo de impeachment para janeiro, o que pode embaralhar a campanha do Partido Democrata.

Nesse mês, o partido planejava se dedicar às últimas semanas de campanha antes do processo de escolha de candidato, já que a primeira prévia – o caucus de Iowa – ocorre em fevereiro. Em vez de saírem em campanha, os democratas terão de permanecer em Washington. 

Segundo o cronograma inicial, os líderes da Câmara planejavam uma votação no plenário antes do feriado de 28 de novembro, para que o Senado pudesse conduzir o julgamento político do presidente antes do Natal.

Alguns estrategistas democratas demonstraram hoje ao Washington Post preocupações de que um processo prolongado possa perder a atenção do país ou dar credibilidade às alegações republicanas de que os democratas se distraíram das questões cruciais, como cuidados com a saúde e criação de empregos – temas nos quais se concentraram nas eleições de 2018. / NYT, AFP e W. POST 

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