AP Photo/Sergei Chuzavkov
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Investigadores russos dizem que morte de oposicionista pode ter sido 'provocação'

Declaração do Comitê de Investigação não abordou a possibilidade de que Boris Nemtsov ter sido baleado por ser um dos críticos mais inflexíveis e conhecidos do presidente Vladimir Putin

AE, Estadão Conteúdo

28 de fevereiro de 2015 | 11h01

O principal órgão de investigação da Rússia disse neste sábado, 28, que está analisando vários motivos possíveis para o assassinato do proeminente líder da oposição no país Boris Nemtsov. Entre os casos em observação está a tentativa de desestabilizar o Estado, uma ação do extremismo islâmico, questões relacionadas ao conflito Ucrânia e sua vida pessoal.

A declaração do Comitê de Investigação não abordava a possibilidade vista como provável por muitos dos apoiadores de Nemtsov de que ele fora morto por ser um dos críticos mais inflexíveis e conhecidos do presidente Vladimir Putin.

Nemtsov, de 55 anos, foi baleado na sexta-feira perto da meia-noite (horário local), enquanto caminhava em uma ponte, perto do Kremlin, com uma companhia feminina. O assassinato aconteceu apenas algumas horas após uma entrevista de rádio. Na transmissão, ele denunciou as políticas "loucas e agressivas" de Putin. Hoje, o oposicionista deveria ter ajudado a liderar uma manifestação em protesto contra as ações da Rússia na crise da Ucrânia e os problemas econômicos domésticos.

Após o incidente, os organizadores cancelaram a manifestação e, em vez disso, convocaram uma demonstração neste domingo para lamentar a morte. O evento deverá ocorrer no centro de Moscou. A cidade aprovou rapidamente o pedido, em contraste com o lento processo de permissão e má vontade para comícios da oposição.

O Comitê de Investigação disse que estava analisando se Nemtsov tinha sido morto como "vítima sacrificial daqueles que não evitam qualquer método para alcançar seus objetivos políticos", uma sugestão que ecoou em comentários do porta-voz de Putin e de outros políticos russos. Segundo eles, o incidente poderia ser uma "provocação" contra o Estado.

O órgão também falou que estava considerando se houve "inimizade pessoal" contra o líder da oposição em sua vida doméstica. A rede de televisão controlada pelo Estado e os meios de comunicação amigáveis ao Kremlin deram uma atenção considerável a companheira de Nemtsov, identificando-a como um modelo ucraniana 30 anos mais nova. Fotos mostravam a jovem em poses sedutoras. O Comitê de Investigação disse que o casal estava indo para o apartamento de Nemtsov.

A declaração apontava que está sendo investigada a possibilidade de o assassinato estar ligado ao conflito na Ucrânia, onde separatistas apoiados pela Rússia têm enfrentado forças ucranianas desde abril do ano passado, ou se havia uma conexão com o extremismo islâmico.

Nemtsov foi um dos críticos mais visíveis de Putin e sua morte afetou de maneira dura outros membros da oposição. A marcha de luto no domingo pode servir para galvanizar a oposição sitiada e marginalizada ou pode ser uma breve catarse que deve perder força assim que as emoções se dissiparem.

Ao longo da manhã, centenas de pessoas foram ao local da morte de Nemtsov para deixar flores.

Nemtsov estava trabalhando em um relatório de evidências que, segundo ele, provavam o envolvimento direto da Rússia na rebelião separatista que se desencadeou no leste da Ucrânia desde abril. Moscou nega apoiar os rebeldes com tropas e armas sofisticadas.

Putin ordenou que os chefes de aplicação da lei da Rússia supervisionem pessoalmente a investigação do assassinato de Nemtsov. "Putin ressaltou que este assassinato cruel tem todos os ingredientes de um assassino de aluguel e é extremamente provocativo", afirmou o porta-voz presidencial Dmitry Peskov, em declarações publicadas por agências de notícias russas.

Nemtsov frequentemente criticava a ineficiência do governo, corrupção desenfreada e a política frente à Ucrânia. Fonte: Associated Press.

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