Investimento do Brasil no país persa reflete tendência mundial

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, O Estado de S.Paulo

14 de abril de 2010 | 00h00

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Apesar de sanções e da pressão americana,

cada vez mais Teerã vem se tornando destino

de exportações

Gustavo Chacra

ENVIADO ESPECIAL / WASHINGTON

O número de 86 empresas brasileiras que enviaram representantes ao Irã para acompanhar o ministro da Indústria, Desenvolvimento e Comércio Exterior, Miguel Jorge, pode até ter surpreendido o governo do Brasil, conforme afirmou ontem, em Washington, o secretário de Comércio Exterior brasileiro, Welber Barral. Mas, na realidade, apenas indica o crescimento da importância econômica do Irã para investidores ao redor do mundo, apesar da ameaça de uma nova resolução com sanções contra o regime de Teerã no Conselho de Segurança (CS) da ONU.

Em recente entrevista a um programa da rede de TV CNN, Jim O"Neill, economista-chefe do banco de investimentos Goldman Sachs - um dos mais poderosos dos EUA -, incluiu o Irã em uma lista de 11 países que podem integrar, no futuro, uma nova geração de Brics, usando o termo cunhado por ele para se referir às economias do Brasil, Rússia, Índia e China. Segundo ele, os iranianos possuem uma mão de obra educada, além de excelentes recursos naturais e de um mercado de cerca de 70 milhões de habitantes.

De olho nesse potencial mercado, empresas brasileiras decidiram aproveitar a viagem de Miguel Jorge para analisar a possibilidade de novos investimentos no Irã. A iniciativa é arriscada e pode provocar reações dos EUA, de Israel e de outros países que adotam sanções unilaterais contra o Irã.

Companhias brasileiras com investimentos nos EUA terão de decidir se preferem relacionar-se com os iranianos ou com os americanos. A Petrobrás é uma delas e foi alvo de reportagem do New York Times, no mês passado, que citava empresas que negociariam com os iranianos.

Autoridades americanas afirmam que a secretária de Estado Hillary Clinton tocou na questão durante sua recente viagem ao Brasil (o chanceler brasileiro, Celso Amorim, nega). Em resposta às pressões, a Petrobrás publicou uma carta dizendo que já não possui atividades relevantes no Irã.

Mas as ameaças de retaliações americanas não produzem grandes efeitos. Países como Emirados Árabes e Catar mantêm excelentes relações comerciais tanto com os EUA quanto com o Irã. China, Japão, Alemanha e Coreia do Sul são os principais parceiros comerciais do Irã. Como os chineses têm poder de veto no CS da ONU, muitos analistas consideram improvável que as novas sanções, se aprovadas, tenham um teor que prejudique as iniciativas de negócios de empresários estrangeiros em Teerã.

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