REUTERS/Gretchen Ertl
REUTERS/Gretchen Ertl

Iowa é o 1.º teste dos pré-candidatos à presidência dos EUA

Caucus que ocorre hoje mostrará quem tem chances reais de chegar à Casa Branca e ditará rumo das campanhas

Renata Tranches , O Estado de S. Paulo

01 de fevereiro de 2016 | 03h00

Após meses de declarações polêmicas e incendiárias, a partir de hoje os pré-candidatos americanos mostrarão quem realmente tem chances de chegar à Casa Branca. Iowa, Estado no centro dos Estados Unidos, recebe a primeira seletiva, um caucus, do processo eleitoral. Republicanos e democratas enfrentarão o primeiro desafio que ditará o tom das campanhas. 

Uma das principais expectativas está entre os republicanos. O polêmico magnata Donald Trump caminha para o caucus na liderança das pesquisas de intenção de voto e especialistas ouvidos pelo Estado afirmam que Iowa mostrará se ele foi capaz de converter o apoio popular conquistado em votos. 

O professor do Departamento de Ciências Políticas da Universidade de Iowa Tim Hagle explica que a dinâmica no Estado é complicada. Com 1.681 distritos eleitorais, os partidos precisam mostrar a seus simpatizantes onde cada um deve votar e convencê-los a fazer isso, já que a participação em caucus costuma ser baixa, entre 20-25%. 

A dúvida com relação a Trump, segundo Hagle, é se ele foi capaz de convencer o eleitor a ir votar. “Se ele não vencer em Iowa, isso provavelmente reduzirá muito os argumentos de sua campanha e um tropeço ou vitória apertada na próxima primária, em New Hampshire, dificultará muito seu desempenho nos próximos Estados”, explicou o especialista veterano sobre as primárias republicanas. Além de Trump, há outros dez nomes na disputa republicana. 

O professor da Escola de Graduação em Gestão Política da George Washington University (Washington), Mark Kennedy, pondera que Trump conseguiu dominar a retórica da campanha, mas não tem tido sucesso em converter o discurso em organização política. 

Republicano e ex-deputado federal por Minnesota, Kennedy explica que, historicamente, candidatos “outsiders”, de fora do espectro político, têm tido problema para convencer o eleitor a ir votar.

 

O partido também tem seus desafios. A eleição de 2012 deixou clara a necessidade de renovação e conquista de novos votos, especialmente das minorias. Segundo Kennedy, uma estratégia que o partido encontrou para isso foi focar na campanha digital. “O futuro da mensagem política e da mobilização é a tecnologia, e o GOP (Partido Republicano) deu passos para melhorar esta área”.

Kennedy acrescenta que o sucesso da estratégia estará na capacidade ou não do partido em conquistar os eleitores que votarão pela primeira vez. 

Democratas. Em uma posição mais confortável, já que enfrenta apenas outros dois nomes, a democrata Hillary Clinton também enfrenta desafios. Hagle destaca que seu adversário Bernie Sanders tem corrido para arregimentar o voto dos mais jovens. “Como os dois aparecem muito perto nas pesquisas, ele precisa sair desse caucus forte o suficiente para tornar-se competitivo com Hillary”. 

Para Kennedy, os democratas, em geral, têm um duplo desafio. Eles precisam manter e aumentar o entusiasmo de simpatizantes que tornaram-se desiludidos após oito anos da presidência Obama, “já que ele falhou em cumprir algumas promessas” e, ao mesmo tempo, convencer eleitores independentes de que podem oferecer algo novo para o país. 

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