Iowa revisa votos e dá vitória de prévia republicana a ex-senador Santorum

O resultado da prévia republicana de Iowa, dia 3, foi alterado ontem após uma revisão na contagem de votos. O segundo colocado na disputa, o ultraconservador Rick Santorum, foi declarado vencedor, com 34 votos a frente do moderado Mitt Romney. Com isso, a chance de o ex-governador de Massachusetts consolidar-se como rival do presidente Barack Obama, na eleição geral, em novembro, torna-se menos óbvia.

DENISE CHRISPIM MARIN , CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

20 de janeiro de 2012 | 03h05

"Obrigado, Iowa, pela vitória", festejou Santorum, ex-senador da Pensilvânia, por meio de uma mensagem em sua conta no Twitter. "Peço a todos que se unam a nossa batalha na Carolina do Sul. Agora é pra valer!"

Conforme o resultado anterior, divulgado no dia 4, ele havia sido derrotado por Romney por oito votos. "Os resultados da prévia de Iowa mostraram um empate virtual. Nós reconhecemos o desempenho mais forte de Rick Santorum nesse Estado", afirmou Romney, em comunicado.

A contagem do caucus de Iowa foi revisada porque os resultados de 8 dos 1.774 locais de votação não foram certificados e não puderam ser contados. Com isso, os votos de Romney caíram de 30.015 para 29.805. Os de Santorum também recuaram - de 30.007 para 29.839 -, mas a contagem final deu vantagem ao ex-senador. Para evitar maior constrangimento a Romney, o presidente do Partido Republicano de Iowa, Matt Strawn, preferiu não declarar imediatamente a vitória de Santorum - o que só fez no fim da tarde - e parabenizou ambos candidatos.

A mudança no resultado de Iowa e as recentes pesquisas eleitorais das primárias da Carolina do Sul, que ocorrem amanhã, acirraram a disputa entre Santorum e o ex-presidente da Câmara dos Deputados Newt Gingrich, que tentam viabilizar uma alternativa conservadora a Romney, favorito do establishment republicano.

Para assessores de Santorum, com a vitória em Iowa, o candidato se coloca perante os eleitores republicanos da Carolina do Sul como a alternativa conservadora mais viável a Romney. "O ponto principal é que os livros de história o colocarão como o vencedor do caucus de Iowa de 2012", disse o assessor Hogan Gidley. "Isso prova o nosso argumento: podemos derrotar Romney com uma fração dos recursos que ele tem. E podemos fazer o mesmo com Obama."

Por outro lado, uma vitória - ou até mesmo um segundo lugar - de Gingrich na Carolina do Sul, daria impulso a sua campanha, que teve resultados regulares em Iowa e em New Hampshire.

O ex-deputado recebeu ontem o apoio do governador do Texas, Rick Perry, terceiro pré-candidato a desistir da disputa desde o início do ano (mais informações nesta página). De acordo com pesquisas divulgadas ontem na Carolina do Sul, a diferença entre Gingrich e Romney caiu. Para analistas, mesmo que o apoio de Perry não implique em uma transferência significativa de votos, poderá trazer para a campanha de Gingrich mais recursos financeiros em doações.

A média das pesquisas mais recentes na Carolina do Sul, segundo o site Real Clear Politics, mostra Romney na dianteira, com 31,8%. Gingrich, que começou com 21% na Carolina do Sul, subiu nos últimos dias para 30,6%, o que configura um empate técnico. Santorum aparece em quarto lugar, com 12%, atrás do deputado Ron Paul, que tem 14,4%.

Para a etapa seguinte, as primárias da Flórida, no dia 31, Romney está na frente, com 40,5%, seguido por Gingrich, com 22,0%, segundo a média calculada pelo Real Clear Politics.

A primeira disputa direta dos quatro candidatos republicanos após a desistência de Perry e a revisão do resultado de Iowa ocorreria na noite de ontem, em um debate organizado pela rede de TV CNN.

Nos encontros anteriores, Romney foi o alvo preferencial dos ataques, especialmente de Gingrich. Eles contestaram a vocação conservadora do ex-governador e tentaram associá-lo à imagem de destruidor de empregos nos Estados Unidos, além de qualificá-lo de sonegador de impostos.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.