Irã aceita convite para discutir conflito afegão

Ocidente recebe resposta de Teerã como passo na direção do diálogo

AP, REUTERS E EFE, O Estadao de S.Paulo

26 de março de 2009 | 00h00

O governo do Irã aceitou oficialmente o convite para participar da cúpula da ONU sobre o futuro do Afeganistão, dia 31, em Haia, informou ontem o Ministério das Relações Exteriores da Holanda. "O Irã indicou que participará da conferência, mas ainda não está claro em que nível e quem serão os delegados", afirmou o chanceler holandês, Maxime Verhagen. "É de grande importância a presença do Irã", disse.O convite ao Irã, feito pela primeira vez pela secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, no início do mês, faz parte da nova política americana de tentar aumentar o engajamento da república islâmica na comunidade internacional. Na semana passada, o presidente Barack Obama enviou uma mensagem aos iranianos, por meio de vídeo, oferecendo um recomeço nas relações bilaterais. Na terça-feira, deu a entender que terá paciência na espera por uma resposta positiva de Teerã em relação a uma aproximação. Verhagen ressaltou que o comparecimento do Irã à reunião demonstra os bons resultados da tentativa de descongelamento das relações com Teerã, mesmo com as sanções econômicas ainda em vigor. "A União Europeia, assim como os EUA, empenham-se numa política de dupla abordagem. Temos as sanções para garantir um comportamento mais cooperativo e o pacote positivo, se de fato houver cooperação."NOVAS TÁTICASDurante a cúpula da ONU, prevista para durar apenas sete horas, o governo Obama deve apresentar as novas estratégias de combate ao Taleban e à Al-Qaeda, grupos que se refugiam em território afegão e paquistanês. Segundo Verhagen, o objetivo do encontro não é apenas falar sobre número de soldados e valores para ajuda econômica, mas "esboçar a melhor estratégia política para garantir a estabilidade na região". No ano passado, Paris foi sede de uma conferência semelhante sobre o Afeganistão, que levantou US$ 20 bilhões em doações para o governo de Cabul. Apesar dos esforços internacionais e dos 55 mil soldados estrangeiros no Afeganistão, recentemente, Obama afirmou que os EUA e o mundo não estão vencendo a luta contra os insurgentes. No mês passado, ele anunciou o envio de um contingente extra de 17 mil homens para o Afeganistão, para tentar evitar que a violência se agrave antes das eleições presidenciais de 20 de agosto. Quase 80 países e 20 organizações internacionais, como o Banco Mundial e o FMI, confirmaram presença em Haia. A Rússia, que não faz parte das forças internacionais no Afeganistão, também comparecerá. Assim como o Irã, a Rússia tem importância estratégica nas rotas de abastecimento das tropas.

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