Ruben Sprich/Reuters
Ruben Sprich/Reuters

Irã aceita inspeção-surpresa a usinas nucleares e EUA indicam apoiar plano

Casa Branca qualifica negociação em Genebra como ‘a mais séria e franca’ já realizada com Teerã sobre seu programa atômico, elevando otimismo sobre fim de impasse em até 1 ano

Jamil Chade, correspondente em Genebra,

16 de outubro de 2013 | 23h00

GENEBRA - O Irã aceitou na quarta-feira, 16, que inspeções-surpresa sejam feitas em suas usinas nucleares em troca da suspensão das sanções econômicas ao país. A oferta foi bem recebida pelas potências reunidas em Genebra para uma negociação que a Casa Branca qualificou como "a mais séria e franca" já realizada com Teerã sobre seu programa atômico. As partes voltarão a se encontrar nos dias 7 e 8 de novembro.

No encontro, Irã e o grupo P5+1 (China, EUA, Alemanha, França, Grã-Bretanha e Rússia) anunciaram os próximos passos. Na prática, ao conseguirem pela primeira vez emitir um comunicado final conjunto, os dois lados abriram caminho para um acordo.

A meta é conseguir garantias que impeçam que o Irã possa caminhar para uma bomba atômica. Não por acaso, o encontro era visto como um teste da capacidade do Irã de traduzir em realidade o discurso moderado de Hassan Rohani. A mudança de tom era visível em todas as delegações, com um comunicado final confirmando que o pacote apresentado pelos iranianos era "uma importante contribuição" que passaria a ser considerada.

Num sinal de que as concessões foram bem recebidas, a chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton, anunciou que técnicos continuarão a debater os pontos do acordo. Segundo ela, os iranianos apresentaram uma "base para a negociação". Ela insistiu que o debate foi "substantivo e olhando ao futuro". "Esse foi certamente o debate mais detalhado que jamais tivemos", disse.

Uma alta funcionária do governo americano, falando sob condição de anonimato, confirmou o tom de "otimismo cauteloso". "Nunca tive uma conversa tão intensa, detalhada, direta e cândida com a delegação iraniana", disse. No entanto, ela criticou o fato de que partes substanciais do projeto ainda são "vagas". O americanos esperam que, nas próximas semanas, esses detalhes sejam esclarecidos.

Oficialmente, a ordem de todas as delegações é a de não revelar detalhes do projeto. Ainda assim, diversos pontos acabaram vazando durante o dia. O primeiro é a possibilidade de que, no último estágio de um acordo, o Irã permita que suas instalações sejam inspecionadas sem aviso prévio - mesmo locais não listados na Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

O chanceler Mohamed Javad Zarif indicou que isso não significará que o Irã vá aderir a novos protocolos da AIEA antes do fim do processo. "Houve uma séria barganha e um processo de dar e receber", disse.

Outro ponto substancial é a redução do número de centrífugas em funcionamento, o que reduziria o ritmo de enriquecimento de urânio no Irã. Hoje, existem 19 mil máquinas instaladas no país, ainda que apenas metade esteja funcionando.

No pacote, Teerã ainda aceitou a possibilidade de congelar as atividades de enriquecimento em 20% e converter parte do estoques em óxido de urânio. "Nenhuma dessas medidas ocorreria na primeira etapa do acordo, mas no fim", disse Abbas Araqchi, vice-chanceler.

Zarif deixou claro que não está sobre a mesa a renúncia ao programa nuclear e todas as ofertas dependeriam de como as sanções serão retiradas. Outra exigência seria o reconhecimento de que o Irã tem direito a energia nuclear para fins pacíficos. "Insistimos em nossos direitos e não vamos abrir mão deles", disse.

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