Irã aceita negociar programa nuclear com União Europeia em novembro

Chefe da diplomacia do bloco europeu recebe resposta de Teerã; datas ainda serão marcadas

Efe

29 de outubro de 2010 | 09h09

BRUXELAS - O governo do Irã respondeu positivamente à proposta da União Europeia (UE) de realizar uma rodada de encontros no mês de novembro com o objetivo de retomar o diálogo sobre seu programa nuclear, informou nesta sexta-feira, 29, a chefe de diplomacia do bloco, Catherine Ashton.

 

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"Recebi uma carta do doutor Said Jalili (principal negociador nuclear iraniano) na qual ele agradece o contato e se diz disposto a iniciar discussões depois do dia 10 de novembro", explicou Catherine em sua chegada à cúpula de chefes de Estado e governo dos 27 membros da UE realizada nesta sexta em Bruxelas.

 

Há uma semana, a chefe de diplomacia havia proposto a Teerã retomar o diálogo com três dias de reuniões a partir do dia 15 de novembro. Apesar das pressões, o Irã resistia em dar seu parecer, embora se disse pronto para retomar as negociações.

 

Segundo Catherine, Jalili quer chegar a um acordo sobre datas. Para isso, a UE entrará em contato com as autoridades iranianas para tentar firmar as condições "o mais rápido possível". "Acho que é um movimento muito significativo", assegurou a chefe da diplomacia sobre a disposição de Teerã em negociar.

 

Desde que assumiu o cargo, em dezembro de 2009, Catherine manifestou disposição para retomar o diálogo sobre o discutido programa nuclear iraniano. Além da UE, neste âmbito ela atua em nome do Grupo 5+1 (EUA, Rússia, China, Reino Unido, França e Alemanha), responsável pela negociação com Teerã sobre o programa nuclear.

 

As potências ocidentais acusam o Irã de esconder, sob seu programa nuclear civil, outro de natureza clandestina e aplicações bélicas, cujo objetivo seria a aquisição de armas atômicas. Teerã nega tais alegações.

 

As tensões sobre o programa nuclear iraniano se acirraram no final do ano passado após o Irã rejeitar uma proposta de troca de urânio feita por EUA, Rússia e Reino Unido. Meses depois, o país começou a enriquecer urânio a 20%.

 

Um acordo mediado por Brasil e Turquia para troca de urânio chegou a ser assinado com o Irã em maio. O acordo, porém, foi rejeitado pelo Grupo de Viena - composto por Rússia, França, EUA e AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) - e o Conselho de Segurança da ONU optou por impor uma quarta rodada de sanções ao país.

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