Irã aceita retomar negociação nuclear no próximo mês

Após forte pressão na ONU, Ahmadinejad diz que emissários de Teerã e de potências voltarão a se reunir em outubro

Gustavo Chacra, O Estado de S.Paulo

25 de setembro de 2010 | 00h00

Em um gesto conciliatório, o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, manifestou ontem a esperança de que as negociações sobre seu programa nuclear, suspensas há mais de um ano, sejam retomadas no próximo mês.

Em entrevista coletiva em Nova York, Ahmadinejad afirmou que um emissário de seu governo terá uma reunião preparatória no próximo mês com um representante do chamado sexteto, composto pelos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU mais a Alemanha. O local e a data ainda não foram definidos.

Nesta semana, o sexteto divulgou comunicado indicando disposição de retomar o diálogo com Teerã. O presidente Barack Obama também disse, em discurso na ONU, que os EUA deixam as portas da diplomacia abertas "caso o Irã queira atravessá-las".

Ahmadinejad também disse ter decidido retomar o enriquecimento de urânio porque as grandes potências não concordaram em fornecer combustível nuclear para um reator de uso médico de Teerã.

Apesar da possibilidade de retomada do diálogo, o discurso de Ahmadinejad na sede da ONU dizendo que a maioria das pessoas nos EUA crê que o governo americano orquestrou o 11 de Setembro foi duramente condenada ontem por Barack Obama. "Foram ofensivas e deploráveis, especialmente porque as declarações foram feitas perto do Marco Zero (onde estavam as Torres Gêmeas)", afirmou Obama.

Ahmadinejad não voltou repetiu ontem sua teoria conspiratória. "(O 11 de Setembro) ocorreu e, por causa dele, dois países foram invadidos (Afeganistão e Iraque). Vocês não acham que precisamos saber a verdadeira razão por trás dos atentados?"

Na entrevista, Ahmadinejad afirmou que as eleições nos EUA não são justas. Segundo ele, também não há liberdade de imprensa e respeito às minorias. Questionado pelo Estado se esta não era, na verdade, a realidade no Irã, onde seus rivais estão em prisão domiciliar, jornalistas foram presos, torturados e exilados, Ahmadinejad disse que não. "Nossos opositores são livres. Podem falar o que quiserem. Se estão em casa, é porque não querem sair. E no máximo um ou dois repórteres saíram do país. Eles são livres para viajar."

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