Irã aceita retorno ao diálogo nuclear já nas ''próximas semanas''

Segundo diplomacia da UE e chanceler iraniano, Teerã e potências se encontrarão por três dias na Áustria, em novembro

REUTERS E AP, O Estado de S.Paulo

16 de outubro de 2010 | 00h00

O chanceler iraniano, Manouchehr Mottaki, afirmou ontem que Teerã voltará a negociar seu programa nuclear "nas próximas semanas" com os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU (EUA, Grã-Bretanha, França, Rússia e China) e a Alemanha. Segundo a número 1 da diplomacia da União Europeia, Catherine Ashton, o encontro será em Viena, em novembro .

Desde a chamada "Declaração de Teerã", documento firmado em maio por Brasil, Turquia e Irã que previa a troca de urânio por material nuclear, a negociação sobre o programa atômico do país persa está parada. A oferta de Brasília, Ancara e Teerã foi recusada por Washington, que acusou o Irã de já ter grandes quantidades de urânio enriquecido a 20%.

Ontem, Mottaki reiterou que seu país voltará à mesa de negociação em breve. "Como vocês sabem, anunciei recentemente que outubro ou novembro é, em nossa opinião, um bom momento para retomar o diálogo", disse o chanceler, após participar de um encontro em Bruxelas.

Mottaki defendeu que seja estabelecido um prazo específico para retomar o diálogo com as seis potências. "É uma boa notícia que autoridades aqui estejam seguindo o tema", afirmou.

Lição. O encontro teria sido debatido entre Ashton e a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, na quinta-feira. Em seguida, o escritório de política externa da União Europeia anunciou o encontro. Além de Mottaki, deve estar presente o chefe do programa nuclear iraniano, Saeed Jalili.

"Ashton espera que o sr. Jalili dê uma resposta afirmativa e está ansiosa para estabelecer o diálogo com o Irã", disse Darren Ennis, porta-voz da União Europeia.

O chefe do programa atômico iraniano comemorou o anúncio de Ashton. "As últimas negociações, custosas e infrutíferas, deveriam servir de exemplo para o Ocidente. É preciso entender que a cooperação é a única alternativa possível", disse Jalili à TV estatal iraniana.

EUA e aliados europeus acusam o Irã de desenvolver seu programa atômico com objetivos militares. Teerã, por outro lado, afirma que suas intenções são pacíficas.

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