Irã acusa EUA de ser responsável por ataque contra mesquita

Em nota, Teerã critica ´ignorância e a negligência´ das forças de segurança

Agencia Estado

19 Junho 2007 | 11h05

O Irã responsabilizou nesta quinta-feira, 13, os Estados Unidos do atentado cometido na última quarta-feira contra o mausoléu xiita de Samarra por serem "os encarregados da segurança nesta cidade", segundo um comunicado divulgado pelo Ministério de Exteriores iraniano."O Ministério de Relações Exteriores iraniano condena a repetição deste ato criminoso e antiislâmico contra o mausoléu em Samarra - que já foi atacado em fevereiro do ano passado - e declara culpado os EUA, por ser responsável da segurança nesta cidade", cita o comunicado.Na quarta-feira, uma explosão atingiu o santuário de Samarra, que abriga os túmulos dos imãs (sacerdote muçulmano) Ali al-Hadi e Hussein al-Askari, provocando o desmoronamento de dois minaretes. Segundo informações divulgadas na última quarta, o ataque teria sido realizado por supostos militantes da Al-Qaeda, cujo líder é o terrorista Osama bin Laden.A nota acrescenta que "este insulto contra o lugar sagrado islâmico está alinhado à política de divisões sectárias do povo iraquiano"."A República Islâmica do Irã acredita que a ignorância e a negligência dos ocupantes (americanos) em relação à sensibilidade religiosa do povo iraquiano e sua rejeição a equipar a Polícia iraquiana são fatores que permitem estes atos", afirma.O Irã condenou na quarta-feira "categoricamente" o atentado contra o mausoléu de Samarra, um dos lugares mais sagrados para os xiitas no Iraque, mas não tinha acusado os Estados Unidos.UnescoNesta quinta-feira, o diretor-geral da Organização para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), Koichiro Matsuura, condenou o ataque contra o mausoléu de Samarra e reafirmou o compromisso da agência de trabalhar com o governo iraquiano para restaurar o "patrimônio histórico, espiritual e cultural" do santuário.Matsuura pediu às máximas autoridades religiosas e nacionais do Iraque que recorram à "contenção para evitar novos atos de violência sectária", como os vistos após o ataque contra o mesmo mausoléu em fevereiro de 2006.Um ataque contra a mesma mesquita em fevereiro de 2006 desatou uma onda de violência sectária na qual dezenas de milhares de pessoas morreram, colocando o Iraque a beira de uma guerra civil entre a maioria xiita e a minoria de árabes sunitas.O último ataque em Samarra, condenado pelo presidente americano George W. Bush e outro líderes do mundo, trouxe a preocupação de uma violência semelhante a de 2006.Todo ataque ao patrimônio cultural e espiritual, que é "uma fonte insubstituível de vida e inspiração", é dirigido contra "a humanidade em seu conjunto e a compreensão entre as religiões", afirmou Matsuura em comunicado.O diretor-geral informou que a Unesco manterá seus esforços, ao lado das autoridades iraquianas, a favor do processo de reconstrução do Iraque e da preparação de "uma reconciliação nacional baseada no respeito das diferentes culturas e crenças da população".RepresáliaEm aparente represália aos ataques contra a mesquita de Samarra, cinco mesquitas sunitas foram atacadas e incendiadas no sul de Bagdá nesta quinta.A polícia diz que atiradores não identificados atacaram as mesquitas de al-Mustafa e Huteen na cidade de Iskandariya, 60 quilômetros ao sul da capital, onde a Grande Mesquita Sunita foi destruída na quarta-feira. Segundo os policiais, a mesquita al-Mustafa foi completamente destruída pela explosão de uma bomba no seu interior. A de al-Hudin foi seriamente danificada.Durante a noite, outros dois templos sunitas na mesma cidade também foram atacados. Os atacantes ignoraram o édito islâmico lançado pela maior autoridade xiita do país, o aiatolá Ali Sistani, proibindo os atos de vingança.Em Mahauil, 80 quilômetros ao sul de Bagdá, a mesquita al-Bashir também foi incendiada por desconhecidos, que causaram grandes danos a sua estrutura.Nas ruas de Bagdá, forem registrados tiroteios durante toda a noite. Atiradores tentaram atacar a maior mesquita sunita no centro da cidade, afirmam moradores.Centenas de soldados iraquianos e americanos estão nas ruas de Bagdá e de outras cidades para forçar um toque de recolher, imposto na quarta-feira.

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