Irã acusa EUA por atentado em mesquita

Explosões que deixaram 28 mortos em Zahedan, sudeste do país, foram conduzidas por 'mercenários americanos e britânicos', afirma Teerã

, O Estado de S.Paulo

17 de julho de 2010 | 00h00

TEERÃ

O Irã culpou os EUA pelo atentado de quinta-feira na Grande Mesquita xiita de Zahedan, capital da turbulenta Província do Sistão-Baluquistão. Pelo menos 28 pessoas morreram na tragédia ? incluindo um número não revelado de soldados da Guarda Revolucionária, braço armado do regime iraniano. Washington, além de várias autoridades internacionais, condenou ontem o ataque.

O grupo radical sunita Jundallah, que conduz uma violenta campanha sectária no Sistão-Baluquistão, assumiu a autoria do duplo atentado. A ofensiva seria uma resposta à execução do líder do grupo, Abdulmalik Rigi, preso em fevereiro. Teerã acusa o Jundallah de ter laços com os EUA e governos ocidentais, além da Al-Qaeda e Paquistão.

"As vítimas (do atentado) tornaram-se mártires pelas mãos de mercenários dos EUA e Grã-Bretanha", acusou o número 2 da Guarda Revolucionária, general Hossein Salami. O deputado Alaeddin Boroujerdi, uma das vozes mais influentes do Parlamento do Irã, exigiu que "os EUA respondam pelo atentado terrorista de Zahedan".

Por meio de nota, o presidente americano, Barack Obama, condenou o duplo atentado e pediu que os agressores sejam levados à Justiça. A morte de inocentes em um templo religioso, afirmou Obama, é uma "ofensa intolerável".

Discurso semelhante foi adotado pelo Comissariado da ONU. "Esse ato de terrorismo sem sentido em um lugar de fé faz o ataque ser ainda mais repulsivo", afirmou Farhan Haq, porta-voz do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon.

Data simbólica. Ontem, surgiram mais evidências de como o duplo atentado foi cometido. Um vídeo divulgado pela imprensa iraniana mostra fiéis sentados no chão, enfileirados, lendo o Alcorão em voz alta, quando ocorre uma primeira explosão. Alguns se levantam e, momentos depois, um novo estrondo é ouvido. As cenas em seguida mostram corpos dilacerados e pessoas em desespero.

Fiéis xiitas celebravam o aniversário de morte do imã Hussein, neto do Profeta Maomé, lotando a Grande Mesquita de Zahedan. Também na quinta-feira era comemorado o Dia da Guarda Revolucionária.

O Jundallah publicou um comunicado na internet ontem, afirmando que os integrantes do corpo de elite iraniano eram seu alvo. "Filhos da fé conduziram nesta noite (anteontem) uma operação heroica sem precedentes no coração de uma assembleia da Guarda, em Zahedan", dizia o texto. Segundo o grupo, "mais de cem pessoas", em sua maioria militares iranianos, teriam morrido na ação. / REUTERS

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