Irã acusa França de alimentar crise

Ministro iraniano critica declaração de chanceler francês, segundo a qual Paris deve preparar-se para guerra com Teerã

REUTERS, AFP E EFE, O Estadao de S.Paulo

07 de setembro de 2018 | 00h00

O Irã acusou ontem o chanceler francês, Bernard Kouchner, de alimentar uma crise após o político dizer que a França está preparada para a possibilidade de uma guerra por causa da disputa sobre o programa nuclear iraniano. Segundo a agência oficial Irna, o chanceler iraniano, Mohamad Ali Hosseini, disse que as declarações de Kouchner não estão de acordo com a política da União Européia.Kouchner disse no domingo à rádio RTL e à TV LCI que a França precisa estar preparada para a possibilidade de uma guerra contra o Irã por causa de suas atividades nucleares, que, segundo o Ocidente, poderiam ser usadas para a fabricação de uma bomba. No entanto, ele disse não acreditar que tal ação seja iminente.Ele também declarou que as grandes potências deveriam adotar mais sanções para mostrar que estão determinadas a impedir Teerã de obter a bomba atômica. A França tenta convencer a União Européia a adotar novas sanções contra o Irã.O primeiro-ministro francês, François Fillon, disse ontem que tudo deve ser feito para evitar uma guerra com o Irã, mas acrescentou que Kouchner estava certo em dizer que a situação é perigosa e precisa ser considerada com seriedade.Em um artigo divulgado ontem, a agência Irna acusou a França de "extremismo", numa aparente referência às declarações de Kouchner. "O novo inquilino do Eliseu quer copiar a Casa Branca", escreveu a agência, referindo-se ao presidente francês, Nicolas Sarkozy. A agência acrescentou que "esse europeu colocou-se na pele dos americanos e imita seu clamor"."O novo governo francês pensa que a melhor política na arena internacional é minar a paz e fomentar a tensão", disse a Irna, que acusou os líderes franceses de se terem convertido em "tradutores da vontade da Casa Branca" e adotado "um tom ainda mais duro, mais ilógico do que o de Washington".O vice-presidente iraniano, Reza Aghazadeh, advertiu ontem contra a opção de um confronto militar. "Na prática, (o Ocidente) não tolera que haja mais Estados independentes e países em desenvolvimento que se juntem aos que buscam obter a tecnologia moderna. A grande nação do Irã tomou nota desse comportamento discriminatório (do Ocidente) e não o esquecerá", disse ontem em Viena.O diretor da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Mohamad ElBaradei, disse que o uso da violência contra o Irã seria "contraproducente" e pediu que sejam aprendidas as lições da invasão do Iraque e da morte de milhares de civis pelas "suspeitas" de que havia armas de destruição em massa.

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