Irã adia ação com mísseis, baixa tom e pede diálogo

Após ameaças, o Irã propôs ontem uma nova rodada de negociações sobre seu programa nuclear e adiou os testes de mísseis de longo alcance que havia anunciado dias atrás. A oferta ocorre depois de um dos momentos de maior tensão entre o Ocidente e Teerã nos últimos meses e coincide com o anúncio do presidente Mahmoud Ahmadinejad de que visitará, em 15 dias, Venezuela, Cuba, Equador e Nicarágua, num esforço diplomático para mostrar que o país não está isolado internacionalmente.

JAMIL CHADE , CORRESPONDENTE / GENEBRA, O Estado de S.Paulo

01 de janeiro de 2012 | 03h05

Entre as potências ocidentais, os movimentos iranianos são vistos como um sinal de que as sanções começam a dar resultados.

Saeed Jalili, negociador-chefe dos iranianos, sugeriu que o Grupo dos 5+1 - EUA, Rússia, China, Grã-Bretanha, França e Alemanha - volte a sentar-se à mesa com o Irã. A proposta seria feita numa carta enviada à União Europeia e já foi notificada à ONU.

O último encontro entre iranianos e as potências mundiais, em janeiro, terminou em fracasso. "Pedimos oficialmente a eles (Grupo dos 5+1) que voltem ao caminho do diálogo para a cooperação", afirmou Jalili à agência oficial Irna.

Ao Estado, o gabinete da chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton, confirmou que Bruxelas está disposta a voltar à negociar. Mas avaliou que o sinal dado pelos iranianos seria uma tentativa de evitar a todo custo que a UE aplique um embargo contra o petróleo iraniano, o que teria consequências profundas para a economia do país.

A oferta iraniana foi feita após uma sequência de ameaças. A primeira foi sobre um eventual bloqueio do Estreito de Ormuz, por onde passa uma parte substancial do petróleo que sai do Oriente Médio. Ontem, o governo iraniano garantiu que não tinha intenção de fechar a passagem.

A outra ameaça estava relacionada com os exercícios militares que Teerã conduz.

Nos últimos dias, o Irã afirmou que lançaria ontem mísseis de longo alcance.

Latinos. O giro de Ahmadinejad pela América Latina não inclui o Brasil. Desde que Dilma Rousseff assumiu o governo, o iraniano não contou mais com o mesmo tipo de solidariedade pública do Brasil que mantinha durante a gestão de Luiz Inácio Lula da Silva.

Nos bastidores, porém, Brasília tem mantido uma posição de tentar não isolar Teerã. Há duas semanas, uma delegação iraniana se reuniu com o chanceler Antonio Patriota em Genebra justamente para pedir que o Brasil não siga o caminho dos europeus e americanos na adoção de sanções. Após o encontro, os iranianos confirmaram ao Estado que Patriota garantiu a eles que o Brasil "não acredita em sanções".

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