Irã afirma não descartar uso de petróleo como arma

Preço do barril superaria os US$ 100 se o país suspendesse suas exportações

Agencia Estado

21 Junho 2007 | 13h07

O Irã não rejeita o uso do petróleo como arma se os Estados Unidos recorrerem a uma ação militar contra a República Islâmica por causa de seu programa nuclear, afirmou uma autoridade iraniana do setor petrolífero em declarações publicadas nesta terça-feira. Os EUA acusam o Irã de tentar fabricar bombas atômicas, o que Teerã nega. "Quando os americanos dizem que uma ação militar em relação ao tema nuclear não foi descartada, o Irã também pode dizer que não descartará o petróleo como ferramenta", disse Hossein Kazempour Ardebili, representante do Irã na Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), ao jornal iraniano Sharq. Washington afirma buscar um final diplomático para a disputa em relação às ambições nucleares do Irã, mas não descarta o uso da força em caso de fracasso. Autoridades iranianas dizem que não querem usar o petróleo como arma, mas também afirmam que o farão se o país for forçado. "Não começaremos a usar esta ferramenta (o petróleo), mas se os outros usarem suas ferramentas que não foram deixadas de lado para por pressão nas negociações, é natural que os dois lados discutam suas ferramentas", observou Kazempour Ardebili. Questionado sobre o impacto causado por uma suspensão das exportações de petróleo do Irã, Kazempour Ardebili disse que "definitivamente, o mercado enfrentará um novo choque e os preços do petróleo subirão com força". Segundo ele, os preços subiriam para acima de US$ 100 o barril. Apesar de o Irã ser o segundo maior produtor da Opep, o país tem que importar cerca de 40% de sua necessidade interna de combustível porque lhe falta capacidade de refino. Mas Kazempour Ardebili disse que o Irã nunca teria problemas para obter gasolina, mesmo com a ameaça de corte de fornecimento. "Se alguém faz uma ameaça de não dar gasolina deveria saber que não terá sucesso, porque os maiores produtores de gasolina são membros da Opep e nunca teremos dificuldades em relação à gasolina", disse. "Acreditamos que suprimentos de energia devem ser despolitizados tanto quanto for possível", acrescentou. O Irã disse que adotará o racionamento de gasolina para motoristas como parte dos esforços para reduzir o consumo, que cresce cerca de 10% por ano. Por enquanto, somente carros do governo estão sob racionamento.

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