Irã afirma que não deixará de enriquecer urânio

O Irã não concordará em suspender o enriquecimento de urânio, conforme exige o Conselho de Segurança das Nações Unidas, que deu até 21 de fevereiro para Teerã parar o trabalho atômico mais sensível, disse no sábado o Ministério do Exterior. A ONU fixou sanções contra o Irã em dezembro, impedindo a transferência de materiais e de tecnologia para o programa nuclear da república islâmica, e ameaçou adotar mais medidas, caso o país não cumpra as exigências. "A suspensão é inaceitável. Não há base para isso. Esse tema pertence ao passado. Não há justificativa lógica ou legal para isso," disse o porta-voz Mohammad Ali Hosseini, em sua entrevista coletiva semanal. O Irã já suspendeu, no passado, o trabalho de enriquecimento, seguindo um acordo com países europeus, rompido em 2005. Outros dirigentes iranianos também insistem que o país continuará com seu programa nuclear, que o Ocidente acredita ser um plano clandestino para construir bombas atômicas. O Irã afirma que quer apenas produzir energia. "Energia nuclear é o futuro e o destino do país," disse o líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, maior autoridade do Irã, segundo o jornal Etemad-e Melli. "Se um país não cuida de suas fontes de energia para o futuro, precisa depender das potências arrogantes (do Ocidente)," disse. O Irã tem a segunda maior reserva de petróleo e gás do mundo, mas diz desejar construir uma rede de usinas nucleares para se preparar para quando as fontes terminarem, e garantir a maximização das exportações, enquanto isso não acontecer. O presidente da Síria, Bashar al Assad, está em visita ao Irã e repetiu seu apoio às atividades nucleares iranianas, dizendo que o país tem direitos, por ser signatário do Tratado de Não-Proliferação (NPT). A televisão estatal disse, em comunicado conjunto com o Irã, que a "Síria manifestou seu apoio ao programa nuclear pacífico do Irã". Autoridades iranianas indicaram que podem considerar algumas propostas de acordo, incluindo uma em que o Irã continue usando as centrífugas de enriquecimento que já têm, mas sem injetar urânio. Diplomatas afirmam que diversos países ocidentais são contra a idéia, porque isso ainda deixaria o Irã com o poder de controlar o processo. Teerã enriqueceu até agora pequenas quantidades de urânio em níveis baixos, necessários para combustível de usinas. Mas disse que está determinado a aumentar a produção por meio da instalação de milhares de centrífugas.

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