Irã: Agência alega ter citado Rouhani erroneamente

O presidente eleito do Irã, Hasan Rouhani, qualificou a ocupação dos territórios palestinos por Israel como uma "ferida" no mundo islâmico, em comentários bem mais brandos que os de seus antecessores sobre o assunto.

Agência Estado

02 de agosto de 2013 | 13h45

Mais cedo, porém, uma agência de notícias iraniana causou polêmica ao veicular que Rouhani dissera considerar Israel uma "velha ferida" que deveria ser removida, mas depois o órgão de imprensa retratou-se e alegou ter citado erroneamente as palavras do presidente eleito.

Antes da correção da notícia, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, foi rápido em condenar as declarações atribuídas erroneamente a Rouhani. O líder israelense pediu ao mundo que eleve as pressões sobre Teerã para que interrompa seu controverso programa nuclear por meio de sanções mais duras e ameaças de ação militar.

"Com a ocupação da Palestina e da estimada Jerusalém, perpetua-se uma ferida no corpo do mundo islâmico", foram as palavras corretas de Rouhani sobre o assunto, segundo a agência Isna.

Os comentários vêm à tona apenas dois dias antes da posse e foram proferidos durante a celebração do "Dia de Al-Quds", a expressão em árabe para Jerusalém. O "Dia de Al-Quds" é um ato anual de apoio aos palestinos.

O presidente eleito também expressou dúvidas a respeito da possibilidade de um acordo de paz entre Israel e palestinos, mesmo se os dois lados retomarem as negociações em Washington na próxima semana, encerrando cinco anos de paralisação nas conversações.

"Israel se mostra comprometido ao mundo, mas continua suas práticas de expansão", comentou Rouhani, segundo outra agência de notícias semioficial, a Fars.

Rouhani venceu por grande maioria a eleição presidencial de 14 de junho e vai substituir oficialmente Mahmoud no domingo.

O novo presidente iraniano prometeu seguir o "caminho da moderação" e maior abertura sobre o programa nuclear iraniano.

O Irã não reconhece Israel e, desde a revolução islâmica de 1979, celebra, na última sexta-feira do Ramadã, o "Dia de Al-Quds". Teerã diz que o objetivo é expressar apoio aos palestinos e enfatizar a importância de Jerusalém para os muçulmanos.

Manifestações contra Israel foram realizadas em cidades de todo o Irã. Na capital, Teerã, dezenas de milhares tomaram as ruas gritando "Abaixo a América" e "Morte a Israel". Alguns manifestantes queimaram bandeiras norte-americanas e israelenses.

O atual presidente, Mahmoud Ahmadinejad, falou para uma multidão após as orações de sexta-feira no campus da Universidade de Teerã, em seu último discurso antes de deixar o cargo. "Vocês, sionistas, plantaram vento e colherão tempestade", declarou Ahmadinejad. "Uma tempestade destrutiva está a caminho e vai destruir o sionismo." Fonte: Associated Press.

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