Irã alerta para "catástrofe nuclear" em caso de ataque

Um ataque militar de Israel contra as centrais nucleares do Irã desencadearia uma "catástrofe nuclear", já que propagaria a radiação por toda a região do Oriente Médio, advertiu hoje Ali Akbar Soltani, diretor de política internacional do Ministério iraniano de Assuntos Exteriores. "Seria equivalente a uma catástrofe nuclear mundial, razão pela qual a comunidade internacional não deveria permitir isso", disse Soltani, representante permanente do regime de Teerã em Viena, segundo informou a agência oficial "Itar-Tass". Soltani, que participa, em Moscou, de uma conferência internacional sobre segurança energética global, afirmou que "a catástrofe nuclear de Chernobil (Ucrânia) demonstrou que a radiação não conhece fronteiras". "Se Israel nos atacar, todo Oriente Médio seria contaminado pela radiação", ressaltou. O diplomata iraniano lembrou que um ataque desse tipo violaria as cartas das Nações Unidas e da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). "O Conselho de Segurança da ONU deveria reagir imediatamente a tais ameaças", disse. O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, afirmou esta semana, em um discurso em ocasião do Dia das Forças Armadas, que o Exército de seu país "é um dos mais poderosos do mundo" e que "cortaria as mãos de quem planejasse agredir" o Irã. Por sua vez, o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, não descartou a opção militar na crise provocada pelo contencioso nuclear iraniano. Soltani acrescentou que o Irã tem a intenção de criar suas próprias reservas estratégicas de combustível nuclear para alimentar seus reatores e centrais nucleares. "O combustível para nossos reatores de pesquisa está prestes a acabar, por isso nos vemos obrigados a garantir reservas para a realização desses experimentos", disse. "Esta é a principal razão pela qual o Irã deseja dispor de seu próprio ciclo nuclear, e não estamos dispostos a renunciar a esse direito", ressaltou o representante iraniano. Quanto à oferta do Kremlin de enriquecer urânio em território russo para abastecer as centrais iranianos, Soltani adiantou que seu país "está disposto a manter negociações com a Rússia", na qual disse confiar, "para que essa proposta seja posta em prática". O Irã, segundo acrescentou, "também está disposto a permitir que os inspetores da AIEA que visitem qualquer instalação nuclear que desejem". Soltani revelou ainda que, dentro de um mês, seu país organizará uma concorrência internacional para a construção de duas novas centrais nucleares em seu território. Além disso, a central atômica de Bushehr, que a Rússia constrói às margens do Golfo Pérsico, entrará em funcionamento no final deste ano, disse, apesar dos apelos dos Estados Unidos pela suspensão de sua construção. A crise no programa nuclear de Teerã se agravou em 11 de abril, quando o presidente do Irã anunciou que seu país tinha conseguido enriquecer urânio.

Agencia Estado,

22 Abril 2006 | 04h14

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.