REUTERS/Hannibal Hanschke
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Irã poderá punir manifestantes com pena de morte

Presidente do Tribunal Revolucionário de Teerã ameaçou os iranianos que estão protestando contra o governo e disse que os detidos serão declarados culpados por delitos como ‘atentado contra a segurança nacional’ e ‘inimizade com Deus’

O Estado de S.Paulo

02 Janeiro 2018 | 12h20
Atualizado 02 Janeiro 2018 | 14h15

TEERÃ - Autoridades da República Islâmica do Irã ameaçaram nesta terça-feira, 2, os manifestantes que há dias protestam em todo o país contra o governo dizendo que podem acusá-los de crimes castigados com pena de morte.

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"A cada dia que passe e as pessoas sejam detidas, aumentará seu crime e castigo, e nós já não os consideramos manifestantes pelos seus direitos, mas pessoas que querem prejudicar o regime", disse o presidente do Tribunal Revolucionário de Teerã, Musa Ghazanfarabadi, segundo a agência de notícias iraniana Tasnim.

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Os detidos serão declarados culpados por diferentes delitos, entre os quais figuram "atentado contra a segurança nacional" e "inimizade com Deus", ambos punidos com pena de morte, esclareceu Ghazanfarabadi. Eles também podem ser considerados culpados de "destruição de bens públicos, destruição de bens pessoais das pessoas" entre outros, explicou.

Mais de 20 pessoas já morreram nos enfrentamentos entre a polícia e os manifestantes antigovernamentais, cujos protestos começaram no dia 28 de dezembro.

"Para os que sejam detidos a partir do terceiro dia dos distúrbios, seu crime e castigo vai ser pesado após o anúncio do Ministério do Interior a respeito da ilegalidade destas manifestações", acrescentou.

Washington

O presidente dos EUA, Donald Trump, elogiou nesta terça-feira os manifestantes iranianos por denunciarem o regime brutal e corrupto de Teerã.

"O povo do Irã está finalmente agindo contra o brutal e corrupto regime iraniano", disse o líder em sua conta no Twitter, um dia depois de afirmar que chegou a hora da mudança na República Islâmica. 

O Irã respondeu ao comentário de Trump e recomendou que ele se preocupe em resolver a fome e a pobreza em seu país em vez de se envolver nos assuntos internos da República Islâmica e de outras nações.

"É melhor que Trump se ocupe um pouco dos assuntos internos de seu país e de temas como o assassinato diário de dezenas de pessoas em conflitos armados, tiroteios em diferentes Estados dos EUA e existência de milhões de pessoas sem casa e famintas por lá", indicou em um comunicado o porta-voz do Ministério de Relações Exteriores do Irã, Bahram Qasemi.

Ele ainda aconselhou o presidente americano a focar nesses assuntos em vez de "perder seu tempo enviando tuítes desrespeitosos a outros povos e países". / EFE e AFP

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