Irã ameaça diminuir cooperação se ONU endurecer sanções

Embaixador iraniano na AIEA nega que país suspenderá programa nuclear

Agencia Estado

19 Junho 2007 | 11h05

O Irã ameaçou nesta quinta-feira, 14, diminuir ainda mais sua cooperação com o Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) caso o Conselho de Segurança da ONU endureça as sanções contra o país devido a seu programa nuclear. "Cada resolução e cada ação do Conselho de Segurança provocarão uma reação do Irã, e isso continuará assim", disse o embaixador iraniano na AIEA, Ali Asghar Soltanieh, à imprensa, em um encontro em separado da reunião do Conselho de Governadores do organismo. "Se a situação piorar, a comunidade internacional deve culpar aqueles que levaram o assunto ao Conselho de Segurança das Nações Unidas", disse o diplomata iraniano. "As atividades do Conselho devem parar imediatamente se quisermos uma solução pacífica para esta questão", disse Soltanieh sobre as resoluções do órgão máximo da ONU, que exigem a suspensão total das atividades nucleares mais delicadas. Soltanieh acrescentou que o Irã "está plenamente comprometido com o acordo de salvaguardas da AIEA, e isto deve ser considerado". O Conselho de Segurança de Nações Unidos exige do governo iraniano a suspensão das atividades relacionadas com o enriquecimento de urânio, um material especialmente delicado por seu possível duplo uso, civil e militar. O Irã intensificou nas últimas semanas a instalação de centrífugas de gás para enriquecer urânio, apesar das exigências do Conselho de Segurança e, segundo o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Mohamed ElBaradei, em julho poderia ter cerca de 3 mil em funcionamento. Moratória ElBaradei pediu nesta quinta ao Irã que aplique uma moratória sobre seu programa de enriquecimento de urânio e alertou para um possível conflito se as negociações não forem retomadas em breve. "Se continuarmos da mesma forma que agora, acredito que nos movimentamos rumo a um confronto. Usar a força seria catastrófico, um ato de loucura", disse ElBaradei em Viena. "Por um lado temos a informação de que o Irã está aumentado as capacidades e conhecimentos da tecnologia, e, por outro, a AIEA é incapaz de verificar se o programa (nuclear) é pacífico", lamentou. "Peço que o Irã considere impor uma moratória sobre o aumento das capacidades no setor das centrífugas (para enriquecer urânio). Seria uma boa medida para criar confiança", disse, no final de uma reunião do Conselho de Governadores do organismo. ElBaradei, no entanto, assegurou que a comunidade internacional ainda dispõe de tempo para alcançar uma solução diplomática. "Inclusive se o Irã quiser fabricar uma arma, ainda restam entre três e oito anos para conseguir esse objetivo. Três anos é muito tempo, devemos investir este tempo em diplomacia criativa. Não vejo outra solução que não uma solução diplomática", acrescentou. O país tem planos de instalar no futuro outros 50 mil destes equipamentos para produzir combustível nuclear, embora Estados Unidos e União Européia (UE) temam que poderia enriquecer urânio a níveis tão altos que permitam a fabricação de bombas atômicas. Conselho de Governadores O Conselho de Governadores, reunido durante toda a semana em Viena, Áustria, encerrou nesta quinta a sessão na qual analisou os recentes avanços nucleares do Irã, além de discutir a possibilidade de aumentar o orçamento da AIEA, sobre o qual os 35 governadores ainda não alcançaram um acordo. "A nova realidade, confirmada pela AIEA, é que o Irã domina a tecnologia de enriquecimento. Somos plenamente capazes de produzir todos os componentes para as centrífugas nucleares", disse Soltanieh. "A tecnologia está em nossas cabeças e ninguém pode tirá-la dos cientistas iranianos", afirmou o diplomata iraniano. "A suspensão do programa de enriquecimento perdeu seu sentido político. Não há forma de justificá-la. Sejamos pragmáticos e nos sentemos para negociar. O Irã dará garantias que os materiais nucleares não serão usados para fins militares", disse. O embaixador dos Estados Unidos na AIEA, Gregory Schulte, criticou o não cumprimento pelo Irã das exigências do Conselho de Segurança, como a suspensão do enriquecimento e a melhoria de sua cooperação com a AIEA. O Conselho de Governadores considera "desconcertante e lamentável" que o Irã não cumpra suas obrigações e, "com a exceção de Cuba e Venezuela, o que se ouviu estes dias é uma preocupação geral com o fato de o Irã não cooperar com a AIEA", afirmou Schulte. Schulte reiterou o desejo de Washington e de seus aliados de que o assunto seja resolvido de forma pacífica. "Queremos um acordo negociado, mas para que o Irã possa participar das negociações, deve ouvir o Conselho de Governadores e o Conselho de Segurança e suspender suas atividades nucleares mais delicadas", disse o diplomata americano. Sanções As mais recentes sanções foram impostas ao Irã em março de 2007, impedindo negociações entre 28 pessoas e organizações relacionadas ao programa nuclear com o banco estatal iraniano Sepah. Além disso, Estados-membros da ONU foram proibidos de vender equipamentos bélicos ao Irã ou comprar armas produzidas no pais. Já os empréstimos às instituições deveriam ser reduzidos, com foco apenas para programas de desenvolvimento e humanitários. A ONU havia dado 60 dias, a partir do início das sanções, o que ocorreu em abril, para que Teerã tomasse a decisão de interromper o desenvolvimento atômico. A reunião desta semana discutiu exatamente os próximos passos a serem tomados. Antes disso, em dezembro de 2006, sanções mais brandas já haviam sido impostas. Entre elas estava a venda de equipamentos que pudessem ser usados nos programas de mísseis e nuclear iraniano.

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