Irã ameaça rever política de uso pacífico da energia nuclear

O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, disse hoje que pode revisar a política de uso pacífico da energia nuclear se quiserem "destruir" seu direito de usar esta energia,referindo-se às pressões internacionais. Durante um discurso diante de milhares de iranianos por ocasião do 27º aniversário do triunfo da Revolução Islâmica, Ahmadinejadcomparou a tecnologia nuclear à nacionalização do petróleo no Irã edisse que "os inimigos querem manter o povo iraniano no atraso"."Nossa política foi até agora o uso pacífico da energia nuclear para a indústria, a ciência e a medicina, respeitando as condições da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e do Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP)", discursou. "No entanto, se percebermos que querem destruir o direito do Irã, saibam que revisaremos nossas políticas".O presidente iraniano não esclareceu como seria esta "revisão"da política nem se pensava em abandonar os dois tratados, que regulam internacionalmente o uso da energia atômica. "Há países-membros da AIEA que não assinaram o Tratado deNão-Proliferação - disse, referindo-se a Israel - e têm armas nucleares, e mesmo assim se sentam à mesa de negociações da AIEA para decidir sobre o futuro de nosso povo", disse à multidão, que gritava "a energia nuclear é nosso direito".Ahmadinejad também assegurou que os países ocidentais estão contra a tecnologia nuclear do Irã e não confiam no país, porque "estão fundamentalmente contra o povo" iraniano. Ele reiterou que o Ocidente procura manter a distância tecnológica entre os países desenvolvidos e países como o Irã. "Querem que a energia nuclear, de grande valor, permaneça em seu próprio poder para poder vendê-la pouco a pouco aos povos quenecessitam dela", disse.Holocausto e chargesO presidente do Irã disse ainda que o Holocausto judeu é "um mito" e que o "verdadeiro" está ocorrendo na Palestina e no Iraque. Segundo ee, é necessário estudar "com liberdade" o tema do Holocausto.Durante o discurso, ele também se referiu às charges de Maomé, que ele classificou como um "insulto" ao profeta. O presidente afirmou que "está claro que aqueles que insultam o profeta do Islã não são cristãos nem judeus, mas aqueles que não ouviram a mensagem monoteísta, que é a de todas as religiões".

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