Irã amplia pena para quem visitar Israel

Iranianos podem ser condenados a até 5 anos de prisão; decisão reflete a preocupação de Teerã com a rede de espionagem israelense

TEERÃ, O Estado de S.Paulo

15 de novembro de 2011 | 03h04

O Parlamento do Irã aumentou ontem a pena de 3 meses para até 5 anos de prisão para cidadãos iranianos que viajarem para Israel. A medida reflete as preocupações de Teerã com as recentes ameaças do governo israelense.

O governo iraniano afirma ter desmantelado dezenas de organizações espiãs israelenses nos últimos anos e garante que prendeu vários cidadãos do Irã ligados ao Mossad, o serviço secreto israelense.

Desde 1972, ainda sob o comando do xá Mohamad Reza Pahlevi, apoiado pelos EUA, os cidadãos iranianos que viajassem para Israel poderiam ser condenados e sentenciados a até 3 meses de prisão. Na época, o veto incluía ainda a maior parte dos países comunistas.

O Mossad poderia estar por trás da explosão que matou 17 pessoas em uma base da Guarda Revolucionária, no sábado, perto de Teerã, segundo a revista Time. Entre as vítimas está o general Hassan Moghadam, responsável pelas pesquisas que garantiram a autossuficiência iraniana em mísseis e em artilharia e foi fundador do corpo de artilharia da Guarda Revolucionária.

O Irã garante que a explosão foi acidental e ocorreu durante o transporte de munições para um local mais adequado. No entanto, o correspondente da revista americana Time em Israel, Karl Vick, ouviu uma fonte de inteligência ocidental garantindo que Israel pode ser o responsável pelo atentado. Segundo a fonte, o Mossad estaria planejando novas ações.

A imprensa israelense lembrou que a explosão é mais um episódio de uma série de acidentes, mal funcionamento e assassinatos de cientistas iranianos envolvidos no programa nuclear.

A base atingida pela explosão era um dos depósitos dos mísseis Shahab-3, com alcance suficiente para atingir Israel. O governo iraniano não revela o que o general Moghadam fazia na base militar no momento da explosão. A imprensa iraniana afirma que as autoridades abriram uma investigação para apurar o incidente.

Pressão internacional. O relatório apresentado na semana passada pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) afirmava que o Irã buscava um meio de adaptar o Shahab-3 para transportar uma ogiva nuclear.

Ainda onte, Teerã confirmou que alguns sistemas do país foram atingidos pelo vírus Duqu, em outubro, e garantiu ter desenvolvido um antivírus para proteger os programas de computadores de seus principais centros de pesquisa.

O governo iraniano também informou que todos os computadores que haviam sido infectados pelo Duqu já tiveram o vírus removido de seus sistemas. Teerã acusou os EUA e Israel pela tentativa de sabotagem. / REUTERS, AP e EFE

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