Irã anuncia 3 mil novas centrífugas para enriquecer urânio

Mesmo após ser enquadrado por uma resolução do conselho de Segurança da ONU (CS), o Irã colocará em funcionamento 3 mil novas centrífugas nucleares para enriquecer urânio. A informação, atribuída ao representante do país nas negociações nucleares, Ali Larijani, foi publicada neste domingo pelo jornal iraniano Kayhan.Larijani assegurou que a nação começará a instalar as centrífugas na usina de Natanz, no centro do país, em resposta às sanções impostas no sábado pela ONU."Nossa resposta imediata à resolução é que, a partir de amanhã, vamos iniciar o funcionamento de 3 mil centrífugas em Natanz, a toda velocidade", disse Larijani à publicação iraniana.A resolução 1.737, adotada por unanimidade pelos membros do Conselho de Segurança, exige que Teerã suspenda suas atividades de enriquecimento de urânio num prazo de 60 dias.Se o Irã não cumprir o prazo, o texto proíbe que Estados-membros forneçam material e tecnologia que Teerã possa utilizar em seus programas nucleares e de mísseis, além de estipular o congelamento dos ativos financeiros a companhias e indivíduos envolvidos nestes programas."A resolução da ONU apenas diminui a credibilidade deste organismo internacional. Dissemos várias vezes no passado que o desejo dos ocidentais de usar o Conselho de Segurança como uma ferramenta (contra o Irã) não só não ia afetar nossa vontade, mas nos daria mais ânimo para atingir nossos propósitos", completou.Larijani, que ocupa o cargo de secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, insistiu que "esta resolução demonstra que os ocidentais querem desacreditar o Conselho de Segurança com suas próprias mãos".Israel nuclearO principal responsável pelas negociações nucleares em nome do Irã criticou a ONU por "manter um silêncio total" após as declarações do primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, que situou Israel entre potências nucleares como França, Estados Unidos e Rússia. Em entrevista a uma rede de TV alemã, Olmert foi a primeira alta autoridade israelense a admitir publicamente que o Estado judeu possui um arsenal nuclear."Apesar das declarações dos responsáveis sionistas (israelenses), o Conselho de Segurança, como defensor da paz, manteve um silêncio total, apesar de ter reagido imediatamente", disse Larijani.Para o alto funcionário, o caso iraniano virou assunto político no momento em que foi enviado ao Conselho de Segurança.No entanto, ele reiterou que o país não desistirá de produzir energia atômica para fins pacíficos.

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