Irã anuncia avanço para efetivar acordo nuclear

Países acertam na Suíça termos para implementar pacto histórico firmado em novembro entre Teerã e o chamado P5+1

MOSCOU, O Estado de S.Paulo

11 de janeiro de 2014 | 02h03

O Irã e as grandes potências chegaram ontem a um acordo para implementar o pacto nuclear firmado em Genebra, em novembro, o qual prevê restrições ao programa atômico iraniano em troca do alívio parcial das sanções internacionais contra Teerã.

O anúncio foi feito pelo vice-chanceler do Irã, Abbas Araghchi, que negociava na Suíça os termos para colocar em prática o histórico acordo entre seu país e o chamado P5+1, formado por EUA, Grã-Bretanha, França, Rússia e China, mais a Alemanha. Fontes ocidentais confirmaram a informação.

"Encontramos soluções para todos os pontos em desacordo relativos ao acerto de Genebra. Sua aplicação agora depende da ratificação (do texto) pelos países", afirmou o vice-chanceler iraniano, em entrevista a uma rede de televisão de seu país. Ele qualificou de "boas, construtivas e intensas" as negociações que manteve com Helga Schmid, a número 2 da diplomacia da União Europeia, que representava o conjunto das potências ocidentais.

O acerto entre iranianos e as grandes potências é temporário e terá duração de seis meses, até que um acordo definitivo sobre a crise nuclear do Irã seja alcançado. Teerã alega que seu programa atômico não tem fins militares, mas potências ocidentais e países da região duvidam das garantias iranianas. Pelo acordo interino firmado em novembro, o Irã se compromete a limitar o enriquecimento de urânio, processo necessário tanto para geração de energia quanto para a fabricação de uma bomba nuclear.

Em contrapartida, as duras sanções que atualmente estrangulam a economia iraniana serão parcialmente aliviadas, com liberação de bilhões de dólares congelados e o aval à exportação de derivados de petróleo. Com o acerto anunciado ontem, os dois lados teriam definido como proceder daqui em diante, enquanto continuam as negociações para um acordo definitivo.

Atalho. Ainda ontem, veio à tona a notícia de que Irã e Rússia estão negociando um acordo de troca de petróleo por produtos manufaturados, compromisso que pode ajudar a República Islâmica a elevar substancialmente as exportações de petróleo. Três fontes russas e iranianas envolvidas nas negociações disseram que os detalhes finais estão em discussão.

O pacto prevê que Moscou compraria 500 mil barris de petróleo iraniano por dia em troca de equipamentos e produtos russos.

"Um bom progresso está sendo feito no momento, com grande chance de sucesso", disse uma fonte russa. "Nós estamos discutindo os detalhes e a data da assinatura do acordo depende desses detalhes."

Não estava claro se o negócio seria implementado antes da finalização do acordo nuclear entre o Irã e seis potenciais globais - entre elas a Rússia -, iniciado em novembro em Genebra.

As sanções dos EUA e da União Europeia levaram o Irã a reduzir em mais da metade suas exportações de petróleo nos últimos 18 meses, para cerca de 1 milhão de barris por dia (bpd). A Rússia não aplica sanções ao Irã, à exceção das determinadas pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Dessa forma, as compras russas de 500 mil bpd de petróleo elevariam as exportações iranianas em 50%, num impulso importante para a economia do país. Pelos atuais preços do petróleo no mercado internacional, de cerca de US$ 100 por barril, o Irã acrescentaria uma receita de US$ 1,5 bilhão por mês. / REUTERS e AFP

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