EFE/EPA/TOMMY CHIA/STENA BULK
EFE/EPA/TOMMY CHIA/STENA BULK

Irã anuncia 'confisco' de cargueiro britânico no Estreito de Ormuz

Anúncio é dado horas depois da Suprema Corte do Estreito de Gibraltar, território britânico, prolongar por 30 dias retenção de petroleiro iraniano

Redação, O Estado de S.Paulo

19 de julho de 2019 | 15h20
Atualizado 20 de julho de 2019 | 04h53

TEERÃ - O Irã intensificou nesta sexta-feira, 19, sua ofensiva contra o ocidente e interceptou dois navios britânicos. Segundo a Guarda Revolucionária do Irã, um cargueiro foi “confiscado” no Estreito de Ormuz, ao “não respeitar o código marítimo internacional”. 

Segundo autoridades do Irã, o petroleiro está ancorado no porto da cidade de Bandar Abbas, no sul do Irã, com seus tripulantes a bordo.  Allah-Morad Afifipoor, diretor geral da organização portuária e marítima da província de Hormozgan, onde fica o porto, disse que o Stena Impero entrou em colisão com um barco de pesca.

Afifipoor explicou que a tripulação do barco de pesca tentou se comunicar com o petroleiro e "não recebeu resposta". "O petroleiro colidiu com um barco de pesca durante sua rota e, após esse incidente, foi necessário rever as razões", disse o funcionário, citado pela agência oficial iraniana IRNA.

Com 23 tripulantes, ele foi encaminhado à costa iraniana após ordens da Organização de Portos e Navegação da Província de Hormozgan, para passar por “procedimento legal e inspeção”. A empresa proprietária da embarcação, a Stena Bulk, confirmou que perdeu o contato com o navio após a tripulação afirmar que estava cercada por “pequenas embarcações sem identificação e um helicóptero”.

O petroleiro de 30 mil toneladas saiu nesta sexta dos Emirados Árabes e se dirigia à Arábia Saudita. Segundo a agência de notícias estatal iraniana Irna, um membro da Guarda Revolucionária alegou que o Stena Impero havia desligado o seu rastreador e ignorado ordens dos militares, navegando em direção contrária à estabelecida na rota.

O anúncio foi dado horas depois da Suprema Corte de Gibraltar, território britânico no sul da Espanha, ter prorrogado por mais 30 dias a retenção do petroleiro iraniano Grace 1, interceptado em 4 de julho, sob suspeita de levar petróleo à Síria, assim violando as sanções da União Europeia impostas contra Damasco. 

Teerã negou a acusação. Na terça-feira, 16, o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, disse que o país não deixaria "essa maldade sem resposta". "Responderemos no momento e lugar adequados", declarou.

Diplomacia

Ainda na tarde desta sexta, o governo britânico confirmou que estava “buscando com urgência mais informações” sobre o incidente. Até o momento, não foram divulgados detalhes adicionais sobre o paradeiro do navio.

Já a segunda embarcação, com tripulação britânica e bandeira da Libéria, também foi dada como “confiscada” pelo ministro de Relações Exteriores do Reino Unido, Jeremy Hunt – mas o Irã nega. Segundo fontes entrevistadas pelo canal de TV estatal iraniana, o petroleiro Mesdar foi detido “brevemente” pelas autoridades iranianas e informado sobre condições de “segurança marítima”.

De acordo com a imprensa britânica, o Mesdar, de propriedade da empresa Norbulk Shipping, alterou sua rota ao se aproximar da costa do Irã. Na noite desta sexta, a companhia confirmou que o petroleiro havia sido liberado para continuar a viagem e a comunicação restabelecida, além de informar que todos da tripulação estavam bem.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta que falará com o governo do Reino Unido sobre os navios apreendidos no Estreito de Ormuz. Para Trump, o mais novo incidente envolvendo os iranianos mostra que “o Irã não quer nada além de problemas” e garantiu que há petroleiros americanos passando pelo Estreito de Ormuz.

O Comando Central das Forças Armadas dos Estados Unidos revelou que, "à luz dos recentes acontecimentos ocorridos na região do Golfo Pérsico", está conversando com países da Europa, Ásia e Oriente Médio para garantir a liberdade de navegação na região. "O CentCom está desenvolvendo uma ação marítima multinacional, a Operação Sentinela, para aumentar a vigilância e a segurança nas principais rotas marítimas no Oriente Médio e, assim, garantir navegação livre", disse em comunicado. / REUTERS, EFE, AP e AFP

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