Irã anuncia na 2ª-feira retomada do programa nuclear

A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) recebeu uma informação de que o Irã vai anunciar, no próximo dia 9, a retomada dos trabalhos de pesquisa e desenvolvimento de seu programa nuclear que tinham sido suspensos voluntariamente. Com o anúncio, o Irã corre o risco de ser denunciado no Conselho de Segurança da ONU, afirmaram diplomatas em Viena. Qualquer país membro do Conselho de Governadores da AIEA poderá convocar uma reunião de urgência para discutir o dossiê iraniano e pressionar por uma denúncia contra o Irã perante o Conselho de Segurança da ONU. "A decisão iraniana dará aos países que querem denunciar Teerã (perante o Conselho de Segurança) mais argumentos para apoiar uma decisão a esse respeito", disse um diplomata. Durante a última reunião do Conselho, em novembro do ano passado,o embaixador britânico para a AIEA, Peter Jenkins, destacou que Londres "se reserva o direito" de convocar uma nova reunião antes da prevista formalmente para 6 de março. Na França, um porta-voz do Ministério de Assuntos Exteriores, Jean-Baptiste Mattei, pediu ao Irã que não retome suas polêmicas atividades nucleares. "Desejamos que o Irã se atenha à suspensão de todas as atividades relativas ao enriquecimento e processamento (de urânio), o que inclui as centrífugas e as atividades de pesquisa", disse Mattei. A AIEA descobriu que o Irã ocultou, durante 18 anos, algumas de suas atividades nucleares mais sensíveis, como a importação de compostos para centrífugas para produzir urânio enriquecido. Possuir essa tecnologia não é ilegal, segundo o Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares (TNP), desde que os objetivos sejam pacíficos, algo que - segundo a AIEA - ainda não pôde sercomprovado de forma definitiva no caso iraniano. Enriquecer urânio é a parte mais sensível do ciclo de combustível nuclear, já que tem tanto aplicações civis quanto militares, dependendo do grau de pureza do material produzido.

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